analfabetismo emocional
No mundo existem mais de 450 milhões de pessoas afetadas por diferentes transtornos mentais. Cerca de um milhão de pessoas cometem suicídio todos os anos. Cada 100 pessoas no mundo, 20 sofrem de depressão. Vícios aparecem em pessoas cada vez mais jovens.
 
“Aumenta os casos de depressão e ansiedade na população!” “Aluno agride professor após receber nota baixa!” “Briga de trânsito acaba em tragédia!” “Pais alegam dificuldades de educar e se aproximarem de seus filhos no mundo moderno!” “Filhos pedem mais momentos de qualidade com os pais!” “Empresas alegam dificuldades em encontrar profissionais com boa formação técnica e com boas habilidades em lidar com as emoções!” “Cresce o número de universitários, mas recrutadores reclamam da falta de habilidades comportamentais!”

O que acontece?

O desenvolvimento tecnológico, ter acesso à educação e à informação não nos torna mais felizes, livres ou psicologicamente equilibrados, porque há um problema pendente: a aprendizagem emocional. Se há algo que é democraticamente distribuído no mundo, é a incapacidade de gerenciar nossas emoções.
 

A inteligência emocional para Daniel Goleman (2001), é a capacidade de reconhecer nossos próprios sentimentos e os das pessoas com as quais nos relacionamos, a fim de melhor gerenciar nossas próprias emoções e aquelas que envolvem as nossas relações. Já o analfabetismo emocional revela a completa incapacidade da pessoa de lidar com as próprias emoções e com as dos outros.

Como existe um período ideal para a aprendizagem da leitura e da escrita, há também um palco ideal para aprender a gerir assertivamente as emoções, isso corresponderia aos primeiros estágios da vida: infância, adolescência e juventude, mas Isso não indica que não podemos começar a aprendizagem emocional em fases posteriores da vida. Nunca é tarde demais se lutamos por uma boa causa e nos empenhamos na tarefa.
 
Há investigações muito curiosas que afirmam que as crianças de tenra idade são capazes de entender e até mesmo manipular as emoções dos outros ao seu redor, especialmente as emoções dos adultos. Então, o que acontece no curso da vida? Nós simplesmente não aprendemos a tirar proveito desse aprendizado por tentativas e erros e deixamos tudo nas mãos da sorte. Aprendemos com outras culturas, desenvolvemos a parte do nosso cérebro relacionada à matemática, música, linguagem… mas não educamos a parte relacionada às emoções. Assim, não é de surpreender que os jovens e muitas pessoas que chegam ao meio de suas vidas se sintam completamente “perdidos”, eles não são donos de si mesmos. Eles negligenciaram uma aprendizagem essencial
 
humor instavel, analfabeto emocional

O que envolve aprendizado emocional?

– Autoconsciência emocional: aprender a reconhecer as próprias emoções, saber diferenciar a tristeza da depressão, a ansiedade da agonia… e acima de tudo, ser capaz de explicar a sua origem e os seus vários motivos. Desenvolver esta competência nos permite percebermos como as emoções nos afetam (inclui o efeito das emoções dos outros sobre você), como reagimos a elas e seus respectivos efeitos. Desta forma, fica mais fácil administramos nossas emoções de modo a tirarmos melhor proveito delas.
 
– Autocontrole emocional: não administrarmos bem nossas emoções, sejam elas positivas ou negativas (emoções aflitivas), pode nos levar a grandes problemas, principalmente quando os sentimentos forem impulsivos. Aprenda a controlar emoções: a raiva, a irritabilidade, se libertar da depressão… 
 
Auto motivação: aprender a estabelecer metas e autopromover emoções positivas que facilitam o caminho traçado. Melhorar sua dedicação, sua capacidade de resistir às frustrações diárias, sua iniciativa, sua energia para começar e concluir algo em uma direção específica, seu grau de realização, tudo depende do que te move. É por meio da motivação que você busca melhorar ou ser melhor, cria metas e objetivos ousados, porém realizáveis. Ainda, agarrar oportunidades e enfrentar as dificuldades da vida com confiança, persistência e otimismo.
 
– Empatia: ser capaz de reconhecer as emoções dos outros e entendê-los, saber como se colocar no lugar deles e aceitá-los como eles são. Envolve ficar atento e perceber as emoções, os sentimentos, a linguagem corporal do outro, mantendo a sensibilidade e a perspectiva do outro. Envolve também escutar de forma efetiva o outro, e não seus próprios pensamentos e avaliações. Cabe ressaltar que compreender o ponto de vista do outro, bem como porque a pessoa se sente daquela maneira, não implica necessariamente aceitar aquela situação (ou comportamento), entretanto, tal habilidade permite encontrar alternativas mais adequadas.
 
– Habilidades sociais: somos seres sociais por natureza e dessas relações necessitamos. Desta forma, torna-se extremamente necessário mantermos e cultivarmos relacionamentos benéficos para as partes envolvidas, mantermos contato com pessoas, estabelecer amizades e relacionamentos, trocarmos de forma adequada sentimentos, pensamentos, ideias etc. A qualidade dos relacionamentos envolve a capacidade de comunicação e o desenvolvimento da empatia. Uma pessoa que é socialmente capaz é capaz de atuar como mediadora diante de conflitos interpessoais, muitas vezes atuando como líder dos grupos e fornecendo apoio emocional.
 
 
Pode parecer uma estrada difícil, mas sem dúvida é uma aventura que vale a pena.
 
  
Fontes:
GOLEMAN, Daniel. Trabalhando com a inteligência emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
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Coordenador de TI e Psicólogo. Resolveu estudar psicologia porque queria entender melhor a mente das pessoas, e embora tenha se decepcionado um pouco com algumas coisas que apreendeu ainda acredita no poder de amar e evoluir do ser humano. Idealizador do Pensamento Líquido. Apaixonado por filmes de terror, seriados, anime e mangás e livros de aventura. Não dispensa uma boa comida e bebida na companhia de amigos, especialmente se for pra curtir um bom e velho rock n roll.

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