Você tem se sentido desanimado nos últimos dias sem saber o porquê?

Pode ser por causa das festas de fim de ano; sentir-se triste nesse período é mais comum do que você imagina. Não há dados oficiais ou pesquisas que comprovem o aumento das taxas de suicídio ou de incidência de depressão nesse período do ano. Mas costumamos observar um aumento na procura por ajuda psicológica nessa época.

Em serviços públicos de saúde e clínicas particulares, é comum haver um aumento do número de casos de pessoas em elevado grau de sofrimento, depressivas e até mesmo com ideações suicidas.

Muitas pessoas não entram no famoso “espírito de final de ano”, não sentem a mesma a alegria que percebem nas outras pessoas. A pessoa cria um sentimento de que se ela não estiver com a mesma alegria das outras pessoas então é sinal de que há algo muito errado com ela.

Este sentimento de falta de entrosamento com o que seria esperado seria mais ou menos o mesmo sentimento que aparece em algumas pessoas na sexta feira à noite, “Vou pra casa sozinho quando tem tanta gente se divertindo, eu estou aqui sozinho!”.

O mesmo pode acontecer na época do natal, ou da virado do ano. Parece que existe um “complexo de período perfeito” onde se é obrigado a ser feliz. Mas qualquer obrigação pode oprimir.

Em nossa cultura, o Natal está associado a coisas boas como presentes, confraternizações entre amigos e mais tempo em família.

Como vivemos em uma sociedade marcada por valores cristãos, é praticamente impossível alguém ficar imune ao clima de Natal, ainda que não seja adepto do cristianismo. Somos bombardeados por campanhas natalinas que, embora sejam de cunho comercial, nos colocam em contato com essa festividade.

É por isso que no período de natal, ano novo, festas em geral pode ser ao mesmo tempo um período no qual as pessoas esperam ansiosamente e ao mesmo tempo temem, sentem depressão, alguns passam por um verdadeiro terror fazendo contagem regressiva esperando a hora disso tudo acabar e poder voltar a rotina normal. Tudo devido à ansiedade e medo sobre o que vai acontecer, ou o que não vai acontecer, pois este é o ponto principal, a frustração de não acontecer nada, não receber amigos, não receber presentes, não se perceber importante para ninguém.

É difícil escapar desse tempo de reflexão e de reuniões familiares…

Aquela pessoa da família que nos magoou e somos obrigados a reencontrar e fingir não haver ressentimentos em nome do espírito natalino; aquele familiar ou amigo querido que se afastou e não nos procura mais; a lembrança de um tempo passado, onde as coisas pareciam melhores (ex.: um determinado parente ou amigo que estava mais próximo e hoje se afastou, a família estava mais unida, sua situação econômica era mais confortável, etc). Enfim, esse período  nos coloca diante de encontros físicos e/ou emocionais indesejados, os quais ainda não nos sentimos preparados para encarar.

Além disso, a perda de familiares ou amigos que falecem próximo às festividades, ou o termino de um relacionamento que ocorreu nessa época, torna

Além dos sentimentos de “não realização” pode haver também os sentimentos de saudades das pessoas com as quais ele conviveu em outros anos, mas neste a pessoa não está mais por perto, seja por morte ou por termino de relacionamento, tornando  a lembrança ainda mais marcante e a época passa a ter um significado doloroso. De toda forma os sentimentos de fracasso podem surgir de vários lados.

Você se depara a todo momento com votos de felicidades, paz, união, quando na verdade o que sente é desânimo, tristeza, desesperança. Muitas vezes esses votos acabam exercendo uma pressão ainda maior sobre você, que acaba se culpando por se sentir dessa forma quando na verdade deveria estar alegre, animado. Para não “estragar” o clima, você acaba abafando esses sentimentos, dá um sorriso amarelo e repete mecanicamente os mesmos votos àqueles que estão à sua volta, na esperança de que todo esse ritual acabe logo e a rotina volte ao normal.

O que você gostaria, de verdade, é que alguém enxergasse como você está se sentindo e parasse de desejar alegria a todo custo. Afinal, ela parece estar muito distante de você nesse momento. E quanto mais você se esforça por alcançá-la, mais distante ela parece estar.

Além do que já foi citado, neste ano há um agravante: atravessamos um período crítico de incertezas na economia, inflação e aumento do desemprego. Esses fatores contribuem ainda mais para a instalação do medo, ansiedade e estresse em relação ao futuro que não parece nada animador.

Embora o dinheiro não traga, por si só, felicidade e bem-estar, ele é importante para garantir o acesso a serviços e produtos necessários à nossa sobrevivência. E perder o emprego é um evento muito estressante, que pode desencadear ou agravar danos à saúde de modo geral. Como não atender aos apelos de um filho que pede um “presente do Papai Noel” no Natal? Se você felizmente não está nessa situação, dá para imaginar como se sente alguém que passa por isso, não é mesmo?

O que Fazer?

Para evitar estes sentimentos de ansiedade e tristeza não há uma receita que posa ser aplicada em todas as pessoas, mas talvez planejar desde o inicio do ano para que não fique nada para trás. Pode ser interessante que cada um viva sua vida com total consciência do que está fazendo. Esses sentimentos negativos de fim de ano podem ser canalizados de forma positiva e utilizados para que se reveja o que você está fazendo de sua vida. Será que você não passou o ano todo desperdiçando oportunidades para criar laços de amizade que valerão a pena ser comemorados no final do ano? Não será este o grande momento para aprender a lidar de forma diferente com a própria vida?

Vários são os aspectos que contribuem para que uma pessoa se sinta triste ou depressiva no fim do ano. Se você tem sentido esse período como algo pesado ou difícil, se deseja fugir para um lugar bem longe ou dormir e acordar apenas no ano que vem, se você tem se sentido desanimado, sem vontade de enfrentar as situações, e acredita que a morte seria uma opção para acabar com seu sofrimento de uma vez por todas, procure ajuda.

Fale sobre isso com alguém próximo, converse sobre esse sentimento de desamparo com alguém. Mas escolha uma pessoa que você acredita que não irá tentar te convencer que isso é uma bobagem e procure pela ajuda de um profissional.

Talvez você não se sinta assim, mas essa pode ser a realidade de um familiar ou amigo. Neste caso, esteja atento, ofereça apoio e ajude-o a buscar o tratamento adequado. Ao contrário do que se pensa, falar sobre o assunto ajuda a superar o problema e não piora a condição da pessoa em depressão.

A maioria desses quadros de melancolia de final de ano não configura doença, e para lidar com esta fase é preciso apenas uma adequação. Já quando é identificado sofrimento extremo, chegando a afetar a vida social e profissional, pode ser um indício de depressão. É um indicador de que algo está errado e a pessoa deve procurar ajuda, pois pode haver necessidade de tratamento. Principalmente para pacientes com histórico de depressão, a pressão das festas pode desencadear uma crise. Quando é uma situação recorrente, convém aumentar a frequência do tratamento.

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Coordenador de TI e Psicólogo. Resolveu estudar psicologia porque queria entender melhor a mente das pessoas, e embora tenha se decepcionado um pouco com algumas coisas que apreendeu ainda acredita no poder de amar e evoluir do ser humano. Idealizador do Pensamento Líquido. Apaixonado por filmes de terror, seriados, anime e mangás e livros de aventura. Não dispensa uma boa comida e bebida na companhia de amigos, especialmente se for pra curtir um bom e velho rock n roll.

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