A depressão é um estado humano que existe não só durante a fase adulta da vida, mas também na infância, podendo gerar problemas comportamentais e até mesmo agravos no desenvolvimento psíquico, social e emocional do indivíduo no decorrer de sua vida. Apesar de possuir um diagnóstico bastante complexo, a família e a escola são, geralmente, os principais fatores que influenciam no surgimento de distúrbios psicológicos na infância, como a depressão infantil.

Se não diagnosticada corretamente e tratada, a depressão infantil pode causar sérios danos à vida desse futuro adulto, como o aparecimento de sintomas depressivos mais críticos ou o desenvolvimento de um adulto agressivo. A fase mais crítica para o desenvolvimento desses traumas é dos seis meses de idade até os 5 anos

A Depressão infantil não pode ser baseada sob a ótica de apenas um fator, visto que ela é multifatorial, ou seja, para diagnosticar uma criança com essa patologia devem-se levar em consideração fatores genéticos, ambientais, familiares, sociais, culturais, educacionais em que a criança está inserida. Para identificar essas possíveis causas é imprescindível analisar os antecedentes e consequentes do comportamento depressivo e, se a criança possui respostas de evasão a determinada atividade que ela consumava realizar por vontade própria.

Várias situações contribuem para o aparecimento de comportamentos depressivos em crianças e o ambiente familiar e escolar exercem papeis fundamentais para o desenvolvimento dessa patologia.

Relação Escolar

A ida à escola pode, em alguns casos, fazer parte de uma mudança abrupta da rotina da criança e contribuir para o surgimento da depressão infantil. Em consequência disso, pode haver comprometimento emocional, cognitivo e das funções psicossociais, e, o comportamento e desempenho na escola devem ser considerados para o diagnóstico da doença. É preciso que se compreendam as consequências da depressão para o desenvolvimento da criança e, em especial o seu impacto sobre a aprendizagem.

Distracted Student in Classroom — Image by © Wolfgang Flamisch/Corbis

Existem alguns fatores que influenciam negativamente na aprendizagem, e a depressão infantil é um desses fatores. A queda no rendimento escolar pode ser um sinal de quadro de depressão e, a criança deprimida não apresenta, necessariamente, um nível intelectual abaixo da média, o baixo desempenho escolar na maioria dos casos é um sintoma da depressão. Para argumentar:

A queda no rendimento escolar pode ser considerada um sintoma significativo deste transtorno. O mecanismo através do qual a depressão infantil afeta o rendimento escolar envolve um processo em que a crença de auto-eficácia da criança é prejudicada, ou seja, quando a criança está deprimida ela não consegue acreditar no próprio desempenho, tendendo a apresentar baixo rendimento acadêmico e a depressão pode ser agravada.

Há na criança deprimida uma baixa motivação que se torna uma das principais razões para o baixo desempenho acadêmico. A falta de concentração, atenção, memória e raciocínio gerados pela patologia afetam a compreensão que a criança tem de si de que ela é capaz.

Muitas crianças além de sofrerem com a depressão também se deparam com o despreparo dos educadores para lidar com as situações de distúrbio emocional de seus alunos. Uma criança depressiva procurará fugir de situações do seu dia-a-dia que normalmente eram feitas com prazer, tal como ir à escola. A partir daí a escola passa a ser uma obrigação e nota-se primariamente, como já foi dito, uma queda no rendimento escolar, mudança de comportamentos, além de um possível afastamento dos colegas de classe, atrelada a uma dificuldade de fazer amigos. A presença efetiva de um educador preparado é essencial e é preciso que ele consiga integrar o aluno nas atividades tornando o ambiente escolar prazeroso fazendo com que a criança se sinta acolhida e motivada.

Relação Familiar

A família exerce grande influência na existência de quadros depressivos na infância.  No âmbito familiar, situações de punição verbal ou física, maus tratos, morte de parentes próximos, autoridade exacerbada dos pais, separação de pais, abandono pelos pais, nascimento de irmãos, brigas com familiares, doenças pode desencadear sintomas depressivos nas crianças, pois causam uma instabilidade na relação familiar. Muitas vezes, as crianças não sabem como lidar com a situação e surgem além dos sintomas depressivos outras patologias relacionadas, como o desenvolvimento de doenças autoimunes.

O nascimento de um irmão é fator extremamente relevante na prevalência da depressão infantil e é responsável por grande número de casos existentes atualmente no Brasil. Com a chegada do novo integrante da família, a criança sente-se rejeitada pelos pais, como se o irmão tivesse “roubado” o seu lugar na família. Isso pode se tornar muito grave, desencadeando o surgimento de aversão contra o irmão que pode transparecer até depois da vida adulta.

A existência de um ambiente familiar em que haja condutas entre os pais frente aos filhos que são inadequadas, como brigas, falta de diálogo, dificuldade de dinâmica familiar pode contribuir para o aparecimento da depressão. Por isso é importante que os pais entendam que o filho está passando por uma doença e aceitem o tratamento, pois existem casos em que os familiares recusam o tratamento e contribuem dessa forma para o agravamento dos sintomas ainda na infância ou quando se tornarem adultos.

Na educação de uma criança é necessário que desenvolva processos em que esta saiba lidar com autonomia com situações que enfrentará no mundo fora do ambiente familiar. Uma criação superprotetora é muito negativa e fator determinante para o surgimento da depressão infantil, pois a criança não saberá lidar com frustrações e situações aversivas que a sociedade tem para apresentar a ela. De fato, é inevitável que crianças e adolescentes vivenciem algumas situações estressantes, todavia a maneira como os pais preparam os filhos para enfrentar tais situações podem ser fatores decisivos que podem ajudar a evitar um problema emocional  futuro.

Com isso, pode-se inferir que um ambiente familiar harmonioso é essencial para a manutenção de relações saudáveis entre a família e, sobretudo, para o apoio e recuperação de uma criança ou adolescente diagnosticada com transtornos depressivos. A família fornece uma base de proteção para suportar os problemas psicológicos que perpassam a mente da criança, sendo essencial para a cura.

Autores: Letícia Djelma Monteiro Alves de Lima e Poliana Silva de Oliveira
Leia o artigo na integra: https://psicologado.com

 

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