Allen Frances, coordenador do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais até sua quarta edição (DSM – na sigla do inglês Diagnostic and Statistic Manual of Mental Disorders) alertou, em depoimento ao El país: precisamos dormir mais e melhor! Dormir pouco estaria nos causando doenças mentais, elevando os casos de transtorno de humor e ansiedade e tornando a prescrição de medicamentos algo indiscriminado. Mais um estudo confirma que ele está certo.

Frances provavelmente se refere à exposição cada vez mais prolongada à luz, durante à noite, por meio de iluminação artificial e aparelhos como TVs, computadores, tablets e celulares, quando devíamos estar no escuro, preparando nosso ritual de dormir. Isso para que a melatonina, hormônio que nos induz ao sono e regula a qualidade do nosso descanso, seja liberada adequadamente. Prolongar nossa exposição à luz significa alterar essa qualidade, estender o dia e desrespeitar o ritmo circadiano, trazendo severos danos ao cérebro. Segundo pesquisa publicada no Journal of Alzheimer’s Disease por pesquisadores da universidade da Califórnia, Irvine (EUA ), alguns desses danos estariam associados, inclusive, ao Alzheimer.

Hábitos de sono disruptivos, parecidos com o jet lag, nos fazendo trocar o dia pela noite, seriam os responsáveis pela perda de memória e por alterações bioquímicas cerebrais associadas à doença, de acordo com o trabalho, que estudou privação e ritmos alterados de descanso em ratos. Os cientistas só não sabem, ainda, como isso acontece.

O que atualmente se conhece é que indivíduos com Alzheimer têm o sono alterado, o que faz os pesquisadores considerarem também a hipótese de que os sintomas da doença causam as alterações de sono, embora o estudo em questão os faça crer que seja o contrário. A ordem exata dos fatores depende de uma observação mais acurada dos mecanismos de perda de memória e padrões bioquímicos envolvidos na doença.

Fonte: Revista Psique Ed. 120

 

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