habilidades_sociais

As chamadas habilidades sociais estão se tornando cada vez mais importantes no dia a dia das pessoas, seja no ambiente de trabalho ou na escola, em casa, no trânsito, enfim em todas as situações em que o relacionamento interpessoal é necessário. Pessoas articuladas, que sabem se comunicar bem e se comportar de forma agregadora, afetuosa e cordial têm mais sucesso na vida, sofrem menos e fazem uma diferença muito positiva nos seus círculos de convivência. Mas como desenvolver estas habilidades? Até que ponto trata-se de um dom? Quando é necessária a ajuda de um psicólogo?

Se relacionar bem com os outros, sem conflitos e criando um ambiente saudável é uma arte, como dizem alguns autores. Mesmo entre crianças, esta habilidade é posta em jogo, sempre que elas disputam um brinquedo ou pedem a atenção dos pais, por exemplo. Quando adultos, a exigência é ainda maior. Quem nunca perdeu uma promoção ou se viu de alguma maneira “passado pra trás” por alguém com maior poder de persuasão? A boa notícia é que parte das habilidades sociais nasce com as pessoas, mas elas podem ser praticadas e treinadas. Isso garante que todos possam tê-las como característica pessoal.

Hoje, adultos agressivos, tímidos demais, autoritários e rudes não são bem aceitos no ambiente de trabalho. Por outro lado, aqueles que têm dificuldade em dizer não também não são bem vistos nas empresas. Diante disso, os treinamentos com o objetivo de melhorar estes profissionais, aperfeiçoando-os na arte da boa convivência têm ocorrido com certa frequência dentro das companhias.

O papel das habilidades sociais

Vicente Caballo define que as habilidades sociais são o conjunto de capacidades comportamentais aprendidas e que fundamentam as interações sociais. Quem as domina tem um comportamento adequado e respeitoso em relação às atitudes, desejos, sentimentos, opiniões e crenças próprias e de terceiros. Ainda, segundo o autor, a assertividade é uma das características de quem viabiliza a solução de problemas situacionais e evita que outros apareçam futuramente.

Nós somos animais sociais. Temos a necessidade de apoio e suporte emocional e social no decorrer das nossas vidas e, por isso, procuramos interações para formar vínculos interpessoais. A capacidade de desenvolver essas relações está ligada diretamente às habilidades sociais. Para entender o seu conceito, podemos usar a frase de Aristóteles. “Qualquer um pode ficar zangado. Isto é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na intensidade correta, no momento adequado, pelos motivos justos e da maneira mais apropriada, isto não é fácil”.

Para os autores Almir e Zilda Del Prette, é possível dividir as habilidades emocionais em seis categorias e treiná-las em busca de um comportamento assertivo, fator importante para os desenvolvimentos pessoal e profissional. Confira as seis categorias abaixo:

  1. Habilidade Social de Comunicação

A base de qualquer relação é a comunicação e essa categoria envolve os elementos básicos desse processo, como iniciar ou manter uma conversa, saber fazer perguntas e respondê-las e a capacidade de elogiar, gratificar, pedir e receber feedbacks.

  1. Habilidade Social de Civilidade

As características que compõe a categoria civilidade dizem respeito às interações curtas e podem ser comparadas com gatilhos educacionais, como: cumprimentos, capacidade de agradecer e dizer por favor.

  1. Habilidade Social de Enfrentamento

Alguém com comportamento assertivo tem a habilidade de posicionar-se. Aqui, os autores destacam a forma como são manifestadas opiniões, concordâncias e discordâncias, capacidade de admitir erros e pedir desculpas, fazer, aceitar e recusar pedidos, a forma de se relacionar com o sexo oposto, iniciar e terminar um relacionamento, expressar sentimentos, como a raiva, e lidar com as críticas.

  1. Habilidade Social Empáticas

As habilidades sociais empáticas dizem respeito à capacidade de reconhecer sentimentos, expressar apoio pela perspectiva de terceiros e identificar-se com o outro.

  1. Habilidade Social de Trabalho

No trabalho, algumas posturas são necessárias para que facilitem a resolução de problemas e o gerenciamento de pessoas e equipes. Dessa forma, estão descritas nas HS de trabalho o poder de coordenar grupos específicos, tomar decisões, mediar conflitos, falar em público e resolver questões interpessoais.

  1. Habilidade Social de Expressão de Sentimento Positivo

Características atribuídas a pessoas com comportamento bondoso fazem parte da habilidade social de expressão de sentimento positivo, como a capacidade de fazer amizades, expressar solidariedade e cultivar sentimentos como o carinho e o amor.

É importante frisar que as habilidades sociais não correspondem às características pessoais, mas sim comportamentais, ou seja, a forma como o indivíduo reage, quando está exposto a uma situação em específico, levando em conta o seu contexto cultural e outras variáveis situacionais

A prática leva à perfeição, já diziam nossos avós. Isto se aplica no contexto das habilidades sociais. O ser humano está sempre pronto para aprender, mudar seus comportamentos e pensar de forma inovadora. Ou seja, todos podem aprender a se comunicar melhor, lidar com mais facilidade com situações estressantes, administrar a pressão e os próprios erros, trabalhar em time, ser resiliente – capacidade de se adaptar a novos cenários -, ser paciente e se autocontrolar.

A hora de consultar um psicólogo

Quando a pessoa percebe que, apesar das tentativas, não está conseguindo se comportar de maneira adequada e aceitável no ambiente em que vive ou começa a notar que seus filhos estão com dificuldades para conviver bem na escola ou com os amigos do prédio, por exemplo, é chegada a hora de pedir ajuda profissional.

A área de psicoterapia comportamental vem realizando pesquisas para o desenvolvimento de práticas direcionadas ao aperfeiçoamento das habilidades sociais em todas as etapas da vida: infância, adolescência, juventude, fase adulta e idosa. Nas terapias em consultórios de psicologia, muitas vezes, conclui-se que o grande problema é um problema de comunicação e aí as habilidades socais passam a ser trabalhadas de forma individual.

O psicólogo ajuda o paciente a vivenciar situações de sua rotina em casa, no trabalho, na escola, entre familiares e amigos. A grande meta é contribuir para que as relações deste paciente com as várias pessoas com que convive sejam saudáveis, independentemente do ambiente. Isso pode diminuir os conflitos, as preocupações, o mal-estar, a angústia e os episódios de ansiedade.

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