Exercer a paternidade significa colocar a frente dos compromissos diários, como trabalho e relação social, os filhos, os auxiliando em suas dificuldades, deveres escolares, doenças e exercer os afazeres domésticos. Ser pai, é desenvolver afetividade e intimidade com o filho, tê-lo como centro da vida e ser modelo de conduta e caráter. É ser um pai tradicional, mas com valores de um pai atual que cuida e zela pelo filho.

Durante o período da gravidez é muito importante o acompanhamento do pai, desenvolvendo o apego, além de dar a companheira um apoio emocional e melhor desenvolvimento da gravidez. É extremamente importante para o bebê nos primeiros anos de vida sentir a interação com o pai, desenvolvendo afetividade desde o primeiro momento.

Após se ver como pai solteiro e criador do lar, tendo intensificado a relação com o filho durante os primeiros anos, auxilia na construção de uma nova realidade e aumento dos vínculos afetivos, servindo como aprendizado, com base na confiança, no amor paternal, no dialogo e na proteção que é desenvolvido com a criança.

É inevitável que ocorram algumas mudanças no ritmo de vida e a forma de encarar a realidade, separar seus afazeres de pai e de homem, saber que sua vida não é mais voltada somente ao profissional, mas também ao lar, não conter o apoio da companheira e tendo como principal fonte de ajuda às redes de apoio que irão se estabelecer durante o tempo.

Durante a transição da infância a adolescência os pais encontram as maiores dificuldades, que é a determinação de valores passados aos filhos e a determinação de limites. Nessa fase pode ser extremamente difícil para o pai conseguir arrumar uma namorada, por causa da interferência dos filhos em sua vida pessoal.

Os pais têm como papel fundamental orientar seus filhos enquanto pequenos. Mostrar que são comprometidos, afetivos, amorosos, mas que impõem limites e respeito. Mostrar os valores, responsabilidade, companheirismo e acima de tudo ser amigo para que no futuro o filho possa se tornar uma boa pessoa.

Sem dúvidas, ser pai é considerado algo de grande responsabilidade. Só o homem que assume o cuidado parental de verdade sente isso. Não basta gerar, é necessário cuidar, atender as necessidades, ser atencioso e estar sempre por perto. Ser presente e acompanhar todo o desenvolvimento do filho e também participar no cuidado diário. É fundamental reorganizar a rotina, diminuir o tempo de trabalho e de lazer priorizando o tempo ao lado dos filhos. Para auxiliar nesse momento, muitas vezes ao se verem sem a presença da mãe, os pais se auxiliam nas redes de apoio que vão lhe apoiar nesse momento, elas irão auxilia-lo para o desenvolvimento dessa nova fase da vida, ajudando também na adaptação.

As redes de apoio não se restringem apenas a família, mas também aos amigos, colegas de trabalho, educadores, cuidadoras do lar, vizinhos, entre outros. Funcionam como apoio emocional e físico, facilitando o processo de adaptação.

Qualquer que seja a configuração familiar, com a presença da mãe ou não, é necessário que exista um vínculo afetivo desde cedo com os filhos, desenvolvendo laços, confiança, respeito e amor. A representação da figura paterna mudou durante os anos, trazendo o pai que antes era provedor, para um pai que representa continuidade em grande parte do desenvolvimento dos filhos. Podemos salientar que desenvolvendo um laço paterno desde a gravidez a chance da criança se adaptar melhor a separação conjugal ou a morte da mãe é maior, fazendo com que essa nova fase de transição seja menos árdua e mais fácil de lidar.

Cada vez mais vem sendo discutido a responsabilidade masculina nos cuidados dos filhos, apesar de que o tema ainda não esteja em grande expansão, em vista que ao ocorrer à separação conjugal na maior parte das vezes a mulher que fica com a guarda, por ainda se ter a visão de que a mãe é a melhor pessoa para ficar com a guarda da criança.

Os homens sabem que embora ainda tenham aspectos de correção, responsabilidade de manter o lar, eles também têm participação no companheirismo, afetividade e criação de laços desde a gravidez, o que representa mudanças dos valores antigos.

É necessário que ocorra uma reavaliação dos papeis funcionais na instituição familiar. Os homens cada vez mais, estão assumindo os filhos e sendo mantenedores do lar sozinhos. As novas estruturas familiares devem ser vistas como um processo irreversível. Exercer a paternagem, além de prover é também cuidar e zelar pela família, estabelecendo um vinculo afetivo e seguro. Por mais que a relação entre homem e mulher seja desfeita, o vinculo e relação entre pai e filho deve ser mantido e ser duradouro, ou seja, eterno.

Autor: Djulian Kerollen de Heredias de Oliveira
 
Referências
OLIVEIRA, L. C., Smeha L. N. Quem disse que tem que ser a mãe? Os homens como cuidadores dos filhos. Santa Maria, 2012; 1-10.
SOUZA, M. B., Sanguinet E. T. Pais que assumiram sozinhos os cuidados parentais de seus filhos. Cachoeira do Sul, 2012; 1-18.
VIEIRA, E. N., Souza L. Guarda paterna e representações sociais de paternidade e maternidade. Analise psicológica. 2010 out; 28 (4): 581-96.

 

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