Jogo da ‘Baleia Azul’: Dicas para pais de adolescentes

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Jogo retomou o debate sobre problemas emocionais e psicológicos na adolescência e início da fase adulta.

Jogo da “Baleia Azul” que propõe 50 desafios aos adolescentes e sugere o suicídio como última etapa, preocupa pais, alunos e professores no Brasil. O que atualmente está sendo conhecido como “jogo” na verdade é uma sequência de troca de mensagens em redes sociais e tarefas a serem cumpridas. Nas conversas, um grupo de organizadores, chamados “curadores”, propõe 50 desafios macabros aos adolescentes. Os jogadores geralmente são crianças e adolescentes, que, além de estarem mais suscetíveis a influências de terceiros, passam mais tempo em redes sociais. Tudo começa de maneira “leve” – no início, são delegadas aos jogadores tarefas como assistir a filmes de terror, ouvir músicas psicodélicas e desenhar uma baleia azul em um papel. Com o passar dos dias, os adolescentes chegam a ser desafiados a se pendurarem em lugares altos e se automutilarem, ou até tirarem a própria vida.

Na verdade os chamados “curadores” que estão organizando esse jogo, são pessoas sádicas com bom poder de persuasão e usam uma técnica bastante usada por psicólogos. No tratamento de fobias (medos), por exemplo, é usado a técnica chamada de dessensibilização onde a pessoa é “exposta” gradualmente as situações temidas até perder seu medo. No jogo, o curador utiliza algo parecido, que é começar com tarefas simples ao passo que a pessoa vai criando coragem para no final tirar a própria vida. Alguns desafios são pensados especificamente baseando-se nas fragilidades de cada jogador, por isso mesmo não é algo que deve ser banalizado, e sim levado a sério.

O viral atinge jovens que só precisam de um estopim para o suicídio. Isso significa que, muito antes disso, a pessoa em questão já dá sinais de problemas emocionais e psicológicos. Não se deve banalizar ou julgar a tentativa como um recurso para chamar a atenção. Na vida conturbada de um adolescente, o ato precisa ser tomado como um marco a partir do qual se iniciam ações destinadas à proteção e à qualidade de sua vida, incluídas as de saúde mental

A adolescência é uma fase difícil! Todo mundo já ouviu essa frase algumas vezes na vida, sendo adolescente ou pais de um. É complicado, todos nós sabemos. Mas como agir quando estamos no papel de pais? Como lidar com a rebeldia? Como saber o que se passa com o filho sem violar sua privacidade?

1. Fique atento à mudança de comportamento

Os pais talvez não consigam diagnosticar um quadro depressivo, mas podem notar sinais de alerta para buscar uma avaliação especializada. Uma mudança brusca de comportamento pode ser sinal de que a criança ou o adolescente esteja sofrendo com algo que não saiba lidar.

. Alterações significativas na personalidade ou nos hábitos;
. Comportamento ansioso, deprimido ou agitado;
. Queda no rendimento escolar;
. Perda ou ganho repentinos de peso;
. Mudança no padrão de sono;
. Tristeza, irritação e acessos de raiva combinados
. Comentários autodepreciativos ou desesperançosos em relação ao futuro;
. Demonstração clara ou velada do desejo de pôr fim à vida.

2. Compartilhe projetos de vida

Para entender se a criança ou adolescente está com problemas é fundamental que os pais se interessem por sua rotina. Este deve ser um desejo genuíno, e não momentâneo por conta da repercussão do “Jogo da Baleia”. Os pais devem conhecer a rotina dos filhos, entender o que fazem, conhecer os amigos. Muitos adolescentes “falam” abertamente sobre a falta de motivação de viver nas redes sociais. Aos pais cabe incentivar que os filhos tenham projetos para o futuro, tracem metas como uma viagem, por exemplo, e até algo mais simples, como definir a programação do fim de semana.

3. Não viole a privacidade, mas esteja de olho

A internet traz uma preocupação aos pais mesmo porque ela faz com que o adolescente tenha acesso ao mundo inteiro. Não é aconselhável vasculhar celular, ler mensagens. Mas é preciso estar perto, porque, muitas vezes, quando um adolescente participa de um jogo na internet ele não sabe o quanto é perigoso ou que está sendo manipulado.

Os adolescentes costumam ser mais impulsos, curiosos, querem fazer parte de um grupo. Acabam sendo atraídos por jogos como o da baleia azul. Muitas vezes podem não perceber que estão sendo manipulados, o que os deixam mais suscetíveis. Se perceber que seu filho está participando de um jogo desse, converse e se for o caso, peça ajuda profissional.

4. Conheça seu filho, participe da vida dele

Saiba a rotina dele, o que ele faz, o que ele gosta, quais são os amigos, quais são os projetos de vida. Quando você conhece a rotina e participa de coisas práticas, você abre espaço para ele compartilhar as questões afetivas e emocionais.

 5. Abra espaço para diálogo

Mostre-se acessível ao filho e entenda que ele contará algumas coisas e outras não. O importante é o pai e a mãe deixarem claro que estão ali com eles. A dica é deixar a porta aberta para que o filho pode procurá-los quando tiver vontade. É essa proximidade que vai ajudar no diálogo.

Filhos devem se sentir acolhidos no âmbito familiar. É necessário que os pais revertam suas expectativas em relação a eles. É preciso que o adolescente se sinta à vontade para falar de suas frustrações e se sinta apoiado. Se ele tiver um espaço para dividir suas angústias e for escutado, tem um fator de proteção.

Adolescente com autoestima baixa, sem vínculo familiar fortalecido é mais vulnerável a cair neste tipo de armadilha. O que tem diálogo em casa, não é criticado o tempo todo, tem autoestima melhor, tem risco menor. Deixe que ele fale sobre o jogo, o que sente, é um momento de diálogo entre a família. Muitas vezes o adolescente não tem capacidade de discernir sobre todo o conteúdo ao qual é exposto. Por isso é importante o diálogo franco. Não pode fingir que esse tipo de coisa não existe porque ele sabe que existe.

6- Elogiar é tão importante quanto cobrar

Quando queremos o melhor para os nossos filhos, cobramos muito, que ele estude, tenha boas notas. Mas, geralmente, consideramos aquilo que fez bem como obrigação dele. É claro que é importante cobrar, mas é preciso também frisar o que ele faz de bom. Se eu só cobro sem reforçar as qualidades, ele vai achar que não faz nada de bom, vai achar que as coisas boas que ele faz não fossem notadas.

7. Adolescentes devem buscar aliados

O adolescente precisa buscar as pessoas em que confia para compartilhar seus anseios, seja no ambiente escolar ou familiar. Que ele não ceda às ameaças de quem já está em contato com o jogo e entenda que quem está a frente deles são manipuladores.

8. Escolas podem criar iniciativas pela vida

Assim como a família, as escolas podem ajudar a identificar situações de risco entre os alunos. Não é qualquer criança que vai responder ao chamado de um jogo como esse, são os que têm situações de vulnerabilidade. A escola ajuda a construir laços e tem papel fundamental de perceber como os alunos se desenvolvem.

A pratica desse jogo é crime e o “curador”, se condenado, pode ficar preso por mais de 40 anos. (3 anos por associação criminosa, 8 anos por lesão grave, 6 meses por ameaça e 30 anos por homicídio). Se você souber de alguém que esteja organizando esse tipo de jogo, denuncie, faça sua parte.

O CVV (Centro de Valorização da Vida) presta um serviço de prevenção ao suicídio por meio do telefone 141. Também é possível entrar em contato e receber apoio emocional via internet, a partir de email, chat e Skype 24 horas por dia. Caso necessite acesse o site através do endereço abaixo.

http://www.cvv.org.br/

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Coordenador de TI e Psicólogo. Resolveu estudar psicologia porque queria entender melhor a mente das pessoas, e embora tenha se decepcionado um pouco com algumas coisas que apreendeu ainda acredita no poder de amar e evoluir do ser humano. Idealizador do Pensamento Líquido. Apaixonado por filmes de terror, seriados, anime e mangás e livros de aventura. Não dispensa uma boa comida e bebida na companhia de amigos, especialmente se for pra curtir um bom e velho rock n roll. Para saber mais sobre mim... compre um vinho, pegue um ônibus e venha até a minha casa filosofar sobre a vida.

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