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“Criados juntos, na mesma casa, tudo o que um teve o outro também”. Será mesmo?

O que nem todo  mundo percebe é que ao longo da vida as mães vão se modificando. A mãe é uma com o  primeiro filho e  outra com o segundo filho.  Sim, a idade muda, a condição financeira da família pode sofrer alterações para melhor ou para  pior (trazendo estresse à mãe), o  grau de escolaridade pode mudar entre uma gestação e outra (trazendo mais esclarecimento à mãe ), doenças podem acometer a mãe ou alguém da família ao longo do tempo, trazendo  tristeza para a mãe. O clima familiar tende a modificar a pessoa da mãe.

As mães também aprendem com os equívocos cometidos na maternagem e na educação do primeiro filho e tendem a corrigir isso na educação dos demais filhos, podendo ser mais ou menos severas. Mesmo que sejam alguns meses ou anos entre um filho e outro, o choro do  segundo bebê já não causa tanto desespero, a mãe já sabe o que cada entonação significa. A mãe é mais segura.  Ainda, com a idade, as mães tendem a ter seu trabalho mais bem estabelecido, podendo dar mais atenção aos filhos.

Aliada a todas essas transformações da mãe ao longo da vida enquanto cria seus filhos, temos a percepção da mãe a partir do olhar  de cada filho em sua infância e adolescência e é aí nessa intersecção que se originam filhos tão diferentes nascidos da “mesma mãe”. Cada filho percebe a mãe que tem em um dado  momento daquela mãe e pode guardar na lembrança a imagem dessa mãe mais amistosa ou mais severa, mais alegre ou mais triste, mais irritada ou mais calma e guardar marcas afetivas dessa relação.

Assim, para um a mãe foi formidável, resultando em um filho mais calmo e carinhoso,  a mãe estava disponível afetivamente e o clima familiar, favorável.  Na visão do outro, a mãe pode ser devedora de  mais atenção, carinho, compreensão (a mãe estava em um momento de estresse emocional, financeiro, afetivo), resultando em um   filho possivelmente mais distante, triste e/ou  revoltado. O filho  percebeu sua mãe de forma negativa e ficou marcado por isso. Talvez a mãe,  pontualmente naquela ocasião , não estivesse  de fato disponível afetivamente.

No entanto, embora a situação de disponibilidade da mãe tenha se modificado para melhor  em um tempo futuro, não foi suficiente para apagar uma pequena marca de desencanto naquele filho, enquanto um dos  irmãos que nada presenciou ,  não guarda nenhuma marca negativa dessa mãe. Cada relação mãe-filho é singular, embora a mãe seja  aparentemente  a  mesma. Estilos de cuidado e clima familiar diferentes tendem  a resultar em filhos com comportamentos de estilos diferentes.

Os filhos magoados ou ciumentos dirão: “Eu sempre soube  que minha mãe era diferente comigo”. E eu digo: A mãe que você teve não é exatamente a mesma mãe que seu irmão teve. Mas não por mal, mas sim por “força da vida”. Bem, as mães mudam ao longo do tempo mesmo.

Reconcilie-se, perdoe sua mãe se ela não foi como você queria. Ela foi a melhor mãe que poderia ter sido naquele momento. Acredite em sua mãe quando ela diz que o ama e que todos os filhos são iguais, porque para as mães é assim mesmo! Todos os filhos moram em seu coração!

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Maria Luiza Rodrigues
Psicóloga(CRP 07/19741) graduada pela PUCRS, Sócia da Associação de Terapias Cognitivas do Rio Grande do Sul,administradora da página "Psicologia em Palavras Simples", colaboradora do Blog "cinquentaanos",tem experiência por mais de 20 anos de trabalho enquanto Monitora na Rede de Assistência Social de Alta Complexidade, pertencente à Fundação de Assistência Social e Cidadania( FASC) em Porto Alegre/RS

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