Nós que aqui estamos por vós esperamos

“Nós que aqui estamos por vós esperamos”. Essa é a frase de recepção no portal de entrada em um cemitério na cidade de Paraibuna (interior de SP).  Recepção intrigante não? Segundo historiadores e famílias locais antigas, a mensagem no portal está presente desde a construção desse local por volta do final do século XIX. Não sabem de quem foi essa ideia, mas o certo é que está lá. Essa tradição é comum em cemitérios antigos no continente europeu.

A frase desse portal de entrada serviu de inspiração para elaboração de um documentário brasileiro simples e interessante que leva o mesmo nome da descrição do “misterioso portal”, sob a direção de Marcelo Masagão, em 1999. A obra cinematográfica é uma espécie de reflexão da obra “Era dos extremos”, do historiador britânico Eric Hobsbawm.

Através de uma montagem bem produzida cronologicamente e realista dos acontecimentos do século XX, acrescentam-se trilhas sonoras totalmente adequadas do pianista Wim Mertens. O documentário transmite claramente o período de contrastes, conflitos internacionais, ditaduras, guerras sangrentas, invenções, desenvolvimento cultural e tecnológico, além das atitudes repugnantes e desvarios do ser humano diante de tudo isso.

Nós_que_Aqui_Estamos

Como tema principal, aborda a banalização da vida e da morte. A industrialização, as mudanças na área de comunicação após a invenção do telefone, rádio e da energia elétrica, a independência feminina, igualdade dos sexos, a busca dos sonhos e ideais, a questão da sobrevivência, religiões e a produção de carros também estão presentes na obra. Além de relembrar fatos históricos, como a queda do muro de Berlim e a Revolução Cultural na China. O trabalho revela a vida de celebridades e de pessoas comuns a fim de levar ao telespectador a importância de cada indivíduo para a história do mundo.

Leia também: Sobre Perdas, a Morte, o Morrer e o Desejar Morrer.

Fizemos um trabalho e seminário em 2010, referente esse documentário citado, na disciplina de Sociologia aplicada à Administração no 2º ano do curso de Administração de empresas. Recordo de algumas reflexões que tivemos na época e compartilho abaixo com os leitores:

1 – Nós que aqui estamos: Lembra-nos de todos nós que ainda estamos vivos e temos o tempo disponível para trabalhar, estudar, desfrutar da família, amizades e a participação intensa em todos os aspectos alcançados como seres humanos durante nossa estada na Terra.

2 – Por vós esperamos: Aqueles que já se foram esperam por nós? Onde? Há um lugar em que todos se encontram após deixar essa vida atual? Essas são perguntas que fazemos em algum momento da nossa vida e muitas vezes não temos respostas ou nem queremos tê-las.

3 – Cemitério: Hoje muitas vezes chamado até mesmo de “Parque memorial”, é o local onde sabemos que um dia seremos destinados também, afinal como já diz um ditado popular “ninguém ficará para a semente. A morte e a vida nos dão a verdadeira sensação de justiça plena, talvez única, de que somos todos iguais.

4 – Evolução tecnológica x Vida: O documentário transmite implicitamente a mensagem que apesar de tantas revoluções, inovações e desenvolvimento tecnológico, o certo é: nunca conseguiremos inventar algo que nos faça seres imortais.

5 – Facetas humanas: As apresentações deixam nitidamente expostas as variações humanas, tais como: materialismo e idealismo, empirismo e racionalismo, ganância e poder, religião e ciência, guerra e paz, entre outras. Nota-se que o ser humano é totalmente volúvel diante das situações em que participa ou vivencia ao longo da vida.

Concluo dizendo que a vida é muito veloz e se mal aproveitada não terá valido a pena o final dela, ou seja, a somatória dos momentos que serão finalizados com nossa partida desse mundo. Ainda em tempo, algumas frases referentes ao tema na sequência:

“O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte”. Friedrich Nietzsche

“A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace”. Victor Hugo

“Talvez a morte tenha mais segredos para nos revelar que a vida”. Gustave Flaubert

“Temam menos a morte e mais a vida insuficiente”. Bertolt Brecht

Referências:
g1.globo.com
fabianapardini.com.br
www.pensador.com

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Douglas Henrique Reginato
Graduado em Administraçao de Empresas (Uenp) . Pós graduado em Gestão Estratégica de Pessoas (Unopar - PR). MBA em Marketing Estratégico voltado a lucratividade (Unifil Londrina). Gosto de musica clássica e leio livros e revistas dos mais variados temas. Procuro ampliar minha visão de mundo e contribuir de alguma forma com a sociedade. Sou um eterno estudante.

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