meninos vestes azul e meninas vestem rosa

Em tom de pedagogização e comemoração, Ministra Damares grita apontando o dedo…”MENINAS USAM ROSA, MENINOS USAM AZUL. Uma nova era se instala neste país MENINOS USAM AZUL E MENINAS USAM ROSA”.

Questionamentos diversos vem à tona quando imaginamos o que Damares quis dizer com essas frases, questões polêmicas vem envolvendo a Ministra que parece ter grave entendimento com as questões de gênero. Tentando fazer uma síntese dos fatos, convido-os a uma breve análise do que podemos perceber, faremos paralelos entre as necessidades de Damares e a segurança tão almejada por ela e também pelos seus seguidores e a modernidade nos tempos líquidos.

O apelo quase que um grito, repetido duas vezes, foi validado por ela, mostra uma pessoa temerosa, apreensiva com o novo, uma menina que viveu ainda em tempos vistos como seguros e tradicionais, que aos dez anos de idade viveu na pele a violência sexual vinda através de um tio. Será que comprometeu sua confiança nas pessoas? Pretenderia ela controlar seu mundo para ficar mais segura?

Sente-se segura com o conhecido, aquilo que lhe dá a sensação de controle, família, marido, homem com mulher, mulher com homem. O equívoco disso tudo é que uma pessoa pública tentar através da comunicação formar opiniões na tentativa de reprimir pessoas, talvez não compreenda que incentiva a violência, as mentiras, coerções, traições, deslealdades, reprimindo desejos e cerceando liberdades.

meninos vestes azul e meninas vestem rosa

Neste mundo visto como tradicional é facilmente presenciada as repressões através das coerções, ou seja, o que não se pode fazer diante do outro, “mas escondido até que pode”. Muitos homossexuais da época da família tradicional, viraram alvo das reportagens dos programas de televisão com horários permitidos nas madrugadas, entregando os maridos que saiam na surdina para fazer valer suas fantasias sexuais com um parceiro do mesmo sexo.

Meninas e meninos foram desde sempre molestados e viravam segredos na família, todos sabiam do tio abusador, mas não se podia falar. As mulheres eram agredidas fisicamente e emocionalmente, no entanto ficavam com seus algozes até a morte, porque separadas ficariam marcadas para sempre.

A busca por algo que nos tire a ansiedade de estar sempre na corda bamba é frequente, por um período de tempo essa sensação de estar seguro é adquirida quando somos aceitos pela sociedade como “normais” gerando um certo conforto, entretanto, algo dentro de nossa natureza grita por liberdade de escolhas.

Talvez a busca pelo equilíbrio sejam as tentativas de se construir uma identidade altruísta, observadora, que não julga, respeitosa da liberdade alheia, que dá voz e escuta os pedidos e anseios do outro, estão surgindo timidamente. Resistindo aos medos de Damares, de Marias, de Pedros e Robertos, acreditando que podemos sim humanizar, e viver em um mundo colorido e de paz, apesar de…

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Rosemeri Tomal
Psicóloga clinica , especialista em traumas , perdas e lutos. Presidente da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática (ABMP) do Paraná. Atendo na Clínica Millennium - Av Cândido Xavier, 232 - Batel - Tel (041)998758014 -Curitiba.

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