Uma das grandes bilheterias mundiais e com grande seguidores em todo o mundo é que Star Wars, a grande franquia de George Lucas, vem conquistando cada vez mais fãs sendo uma das sagas mais conhecidas atualmente e que em muito contribui para o entendimento do universo da Psicologia, dentre tantos o da Psicologia Junguiana proposta por Carl G. Jung.

Ao observamos o enredo como um todo podemos encontrar ricos personagens que nos auxiliam a vivermos, de forma projetiva e identificatória, partes de nossa personalidade e dentre eles uma figura central nos chama atenção: Darth Vader.

Nascido como Anakin Skywalker, gerado pela força sendo um importante cavaleiro Jedi na República Galáctica, o mesmo é corrompido pelo sombrio que o faz “enterrar” a personalidade antiga dando origem a uma nova, sendo o equivalente oposto de tudo que um dia havia sido contrariando as expectativas de todos, inclusive de si próprio quando criança.

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Ao se tornar aquilo que mais negava e o oposto de tudo que um dia acreditou ele nos incita a pensar sobre o que de fato permeou essa mudança. Seriam os anos de escravidão em Tatooine? Seria a perda de sua mãe  Shmi Skywalker? Ou seria ainda o fato de esconder seu relacionamento com Padmé?

Ambas as situações são decisivas ao pensarmos sobre a sua condição, mas uma maior deve ser levada em consideração nessa análise: SUA SOMBRA.

Segundo Carl Jung, a SOMBRA, é um conceito importante de sua teoria relacionada ao inconsciente pessoal e sendo a “personificação de certos aspectos inconscientes da personalidade” (Von Franz, 2002).

A mesma corresponde “aquele algo a esconder,” que a humanidade traz dentro de si, não sendo de maneira alguma negativa, possuindo traços positivos que auxiliam em nosso crescimento, mas que pela cultura ocidental é vista de forma a colaborar para o “mal” visto que a mesma, na maioria dos casos, é contrária ao que se é tido como aceitável.

“De um modo geral, a sombra possui uma qualidade imoral ou, pelo menos, pouco recomendável, contendo características da natureza de uma pessoa que são contrárias aos costumes e convenções morais da sociedade. A sombra é o lado inconsciente das operações intencionais, voluntárias e defensivas do ego.” (Stein, Murray. O mapa da alma, pg 98).

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Anakin ao ter o potencial para se tornar um Jedi poderoso, também trouxe em si o potencial para ser um grande Lord Sith, visto que ambas as possibilidades estavam dentro dele, assim como ocorre em todas as pessoas.

Interessante é notar que ao deixar que sua sombra viesse à tona, mesmo que por uma possessão, Skywalker traz à possibilidade de uma nova organização a ordem Jedi, produz uma nova configuração a aquilo que estava estabelecido anteriormente e arremata a profecia que o cercava da forma menos esperada, nos mostrando que a força conhece seus meios de agir.

É exatamente por deixar o lado obscuro vir à tona e ser suscetível a ele que a escolha por ser ele a pessoa trazer o equilíbrio é de grande sabedoria, atrelando – se a ideia de Jung de que: O homem que não atravessa o inferno de suas paixões também não as supera.

Alguém que não sucumbe e não olha para o seu pior lado e não aprende com o mesmo está fadado ao eterno fracasso, é nesse sentido que Darth Vader é a grande solução para uma força abandonada e que precisava se reerguer, ele é a origem da possibilidade do bem enfim triunfar, mesmo que para isso o mal tenha que existir.

“Tenciono agora fazer o jogo da vida, ser receptivo a tudo que me chegar, bom e mal, sol e sombra alternando-se eternamente; e, desta forma, aceitar também minha própria natureza, com seus aspectos positivos e negativos…”.  Carl Jung.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
JUNG, Carl G. O homem e seus símbolos. ed. Nova fronteira.2008.pg.447
STEIN, Murray. O Mapa da Alma- Uma Introdução.ed. Brasil: Cultrix. 2000. pg. 216

 

 

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Graduanda em Psicologia pela FSP- Faculdade Sudoeste Paulista, apaixonada por religião e afins, vidrada na saga Star Wars, amante de séries e literatura brasileira. Nas horas vagas toca piano e arranha no violão, além de tentar verse leva algum talento na escrita.

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