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Seria uma catástrofe, ou pelo menos uma falta de bom senso, se a Humanidade não parasse um pouco para refletir sobre a situação que o mundo enfrenta atualmente. No entanto, alguns não o fazem. Várias vezes a História ensinou-nos que as guerras, o uso de armas descontroladamente e a falta de preocupação com o outro contribuem para o processo de desumanização, e que o mundo tem de agir como um só, agir com o apoio de todos e pela mesma causa, causa essa que nos encaminhe para uma vida melhor.

Contudo, mais um problema tem originado divergência desde que surgiu, isto em termos do modo de atuação: refiro-me ao acolhimento de refugiados. O planeta encontra-se dividido, na medida em que uns os aceitam e outros rejeitam a entrada destes nos seus países. A Europa, um território que tem recebido este tipo de populações desfavorecidas, não é exceção desta indecisão política e social. Apesar de tudo, até parece que atuamos em conjunto, porém no sentido contrário ao da verdadeira e necessária melhoria.

Atentemos no caso especial do nosso continente: e a primeira observação que me proponho a fazer é que a ajuda da Europa neste processo acaba por não ser, de certa forma, clara e concreta. Verificamos uma elevada desigualdade relacionada com a oferta de melhores condições de vida e proteção para os refugiados. Na realidade, nada mais poderia ser tão problemático para o desenvolvimento mundial quanto esta divisão de opiniões.

Existe uma monstruosa intolerância revelada por parte dos países “mais ricos” face às movimentações de migrantes. O Reino Unido, aliás, foi a gota de água da maior desumanidade já vista em casos como este, por ter apresentado uma sugestão de cancelamento da Operação Mare Nostrum. Esta operação tinha o objetivo de apoiar os imigrantes que tentavam atravessar o mar para alcançar locais mais seguros, no entanto o Reino Unido tinha esperança de que com a finalização deste projeto algumas pessoas morressem e o número de pessoas que atravessavam o mar diminuísse, com a finalidade de acolherem menos indivíduos.

Tudo isto por simples, mas malévolas, questões econômicas, sempre presentes em primeiro lugar na maior parte das mentes humanas governativas. Por outro lado, outras nações que dispõem de menores meios financeiros (como a Grécia) têm auxiliado uma maior percentagem de refugiados, o que intensifica as referidas discrepâncias.

Todavia, numa perspectiva superiormente positiva, o facto de grande parte da Europa agraciar os fugitivos com a sua assistência constitui um ato de coragem surpreendente, porque mesmo sujeita a fenômenos de decréscimo econômico, aumento de xenofobia e criação de conflitos nas sociedades, esta força territorial prova que o valor do ser humano suplanta qualquer adversidade. Além disso, cálculos realizados e previsões feitas por especialistas afirmam que os refugiados seguirão o lado da humildade e do esforço, dedicando-se verdadeiramente ao seu trabalho e à sua nova vida no continente europeu.

Para concluir, e não excluindo alguns comportamentos profundamente egoístas e vergonhosos de certos países, é de admirar o papel realizado pelo continente onde habito – Europa – em relação à honesta ajuda oferecida aos migrantes. Com efeito, num planeta repleto de “sujeitos”, que é assim a designação que atribuo aos organismos não portadores de uma dignidade e de um altruísmo humanos, podemos louvar a existência de heróis cujo objetivo é alterar o futuro, transformando-o num lugar mais harmonioso e merecedor de respeito.

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Leonardo Camargo Ferreira
Estudante em licenciatura de Sociologia na FLUP (Faculdade de Letras da Universidade do Porto). Escritor de poemas, crónicas e artigos acerca de temas filosóficos e do real-social. As suas filiações literárias oscilam entre a filosofia poética de Fernando Pessoa ou Sophia de Mello Breyner e a sociologia de Zygmunt Bauman ou Anthony Giddens. Gera a página "A Realidade do Imaginário" no Facebook e a conta "LCFPoesia" no Instagram, locais online onde publica frequentemente textos que produz

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