O que falta em mim?

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Vivemos rodeados por ditados que negam nossa completude e nos definem quase pela metade: “Todo mundo tem a outra metade da laranja”, “A tampa da panela” ou “Os opostos se atraem”. Quando encontramos, portanto, alguém com quem dividir nossa vida, nos sentimos inteiramente completos. Essa sensação é maravilhosa no início, porém nos cabe alertar sobre um possível final trágico da relação.

À primeira vista, o que acontece é um encantamento com as características do outro que me faltam. A pessoa apaixonada começa a conviver com sensações nunca experimentadas e se sente maravilhada. Um exemplo clássico é uma mulher tímida que começa a namorar um homem extremamente extrovertido e, assim, passa a sair mais, a fazer novos amigos e adora! Nunca ela havia tido uma vida social tão intensa.

Ainda que essa alegria faça bem, a pessoa nessa situação cai na armadilha de acreditar que só o seu companheiro consegue fazê-la se sentir repleta. Então, quando ele se afasta, ela se sente vazia e abandonada. Ela projeta no outro o que falta em si. É uma sensação que pode ser traduzida por: “Você tem algo que eu não tenho, algo de que preciso para viver. Logo, não me deixe nem por algumas horas”.

Podemos resolver esse conflito integrando esse desconforto da falta à vida. Eu, sozinho, preciso trabalhar para ser o mais completo possível. Uma forma de lidar com essa incompletude é aprender com o outro sobre meus sucessos e insucessos em vez de apoiar nele minhas carências. Todos nós temos a capacidade de rever nossas falhas e administrar nossas próprias necessidades. Só nós mesmos podemos saber o que é essencial para nos sentirmos inteiros. Nosso companheiro virá para nos fazer transbordar e não para completar a metade do copo que já estava vazia.

Por Fabiane Curvo

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