Personalidade pode ser “contagiosa” na infância

0
6
Para pesquisadores, os pequenos são influenciados pelos coleguinhas e pelo ambiente que frequentam

 

Há anos se discute se a personalidade de uma pessoa é determinada pela genética ou pelas experiências adquiridas na vida. Uma pesquisa, feita por uma equipe de psicólogos da Universidade de Michigan, sugere que ela é moldada pela convivência – principalmente no período da pré-escola.

Nos anos 1990, com o avanço nos estudos da neurogenética, cientistas descobriram que os genes influenciam na personalidade, mas interagem de um jeito complexo e imprevisível com o ambiente externo. É por isso, por exemplo, que irmãos gêmeos podem ser tão diferentes. Diante de um determinado acontecimento, os genes (ligados ao comportamento) de cada um podem reagir de maneiras bem distintas, induzindo alterações genéticas ao longo dos anos.

Considerando que a convivência social seja um dos fatores ligados à formação da personalidade logo na infância, pesquisadores analisaram crianças de 3 a 4 anos durante o ano escolar. Eles observaram os grupos que se formavam dentro das salas de aula e o comportamento de alguns pequenos dentro do círculo social

O resultado mostra que as crianças que se envolviam com outras mais extrovertidas e estudiosas se tornavam semelhantes aos colegas ao longo do tempo – mesmo não tendo tais características no início do ano. Já os que tinham parceiros ansiosos ou que desistem fácil de tarefas não herdaram tais comportamentos. Entender como absorvemos cada atributo (bom ou ruim) seria o próximo passo do estudo.

Essa é a primeira pesquisa a examinar os traços da personalidade em crianças pequenas. Ela traz uma nova linha de pensamento: a de que a personalidade não está enraizada e pode ser alterada – e os colegas de infância são os agentes dessa mudança. “Os pais gastam muito tempo tentando ensinar o filho a ser mais paciente, a ser menos impulsivo… Mas o que se sabe agora é que não são os pais ou os professores que afetam a personalidade, e sim os amiguinhos.”

A frase “diga-me com quem andas e eu te direi quem és” começa a fazer mais sentido agora. E você pode ser mais parecido com o seu amigo do que imagina.

Por Giselle Hirata

Deixe uma resposta