os extremismos na politica brasileira

O historiador inglês, Eric Hobsbawm, faz uma análise interessante do século passado em seu livro “Era dos extremos: O Breve século XX”. O livro divide o período em três fases: Era da Catástrofe (período de guerras), Era do Outro (avanços sociais, econômicos e tecnológicos) e Era do Desmoronamento (pós-guerras, colapsos e incertezas de um futuro nebuloso). O texto ressalta a evolução, perigos, guerras, invenções e os comportamentos construtivos e destrutivos da espécie humana dentro de um período de 100 anos que jamais serão esquecidos devido à relevância e reflexos futuros. Os extremos são colocados em pauta diante dos cenários que desenrolaram ao longo dessa importante fase de transições no mundo como um todo. Abaixo a análise de alguns pontos relevantes na fase atual de política e campanha eleitoral no Brasil que também reflete em cenários extremos:

Partidos Políticos:

Temos um número enorme de partidos que não têm posições sólidas e transparentes acerca dos assuntos que são relevantes à população. O número de partidos políticos cresce cada vez mais e os resultados são mais gastos de fundo partidário pago pelo próprio povo, que muitas vezes nem sabe disso.

Falácias:

Em ano eleitoral como esse ouvimos e ouviremos ainda centenas de mentiras, meias-verdades e coisas do tipo. Os políticos usam a linguagem do momento para angariar votos e se esquecem das condições de orçamentos, verbas, tempo, espaço, planejamento e do mundo real em que estamos inseridos. Cabe assim ao eleitor ficar atento aos exageros e sonhos mirabolantes que serão prometidos nos próximos debates, entrevistas e nas paginas de redes sociais e sites dos partidos e dos candidatos individualmente.

Efeito camaleão:

Em épocas de campanhas os candidatos comem pastel, vestem-se de pedreiro, engenheiro e soldador, até usam boné, chapéu, botina e por aí vai. A intenção é passar ao telespectador / eleitor que eles são muito populares, amigos e companheiros para o que der e vier pela frente. Será mesmo assim após o pleito eleitoral?

Propaganda eleitoral gratuita:

Gratuito? Não mesmo. Nós contribuintes estamos de alguma forma bancando essa brincadeira maldosa e ainda tendo que aguentar as interrupções e inserções diárias em rádios e TVs com discursos absurdos e algumas vezes engraçados.

 Programas de Governo:

Os políticos ao registrarem a candidatura na Justiça Eleitoral apresentam um plano de Governo que geralmente é publicado nos sites e páginas dos partidos. Os planos de vários políticos são semelhantes e abordam os assuntos que a sociedade mais reclama através dos veículos de comunicação. A intenção é formalizar as “ideias” no papel para ajudar nos discursos e por exigência da Lei.

Marketeiros políticos:

E essa área do Marketing é muito interessante e enche os bolsos dos nomes de destaque sem dúvidas. O chamado “Marketeiro político” é o responsável pela apresentação do candidato em entrevistas, postagens, debates, pronunciamentos, folhetos, adesivos, áreas de influência e outros itens que envolvem a campanha política. O político torna-se um personagem que busca atender os pontos importantes que podem beneficiar a decolagem à vitória.

Jogo de acusações:

Nos debates, propagandas e entrevistas grande parte do tempo é para acusar ou criticar adversários que o candidato julga como competitivos. Em época eleitoral aparecem notícias verdadeiras e falsas sobre relacionamentos, vida pessoal, vícios, discursos, brigas, roubos e muitos mais acerca dos políticos que estão mais bem colocados nas pesquisas. A desconstrução do adversário é a marca principal e estratégia predominante na nossa cultura de concorrentes políticos.

Busca de apoio:

Essa é a hora de caçar apoio de todos os formadores de opinião ou pessoas que podem influenciar grupos, classes profissionais e fatias do eleitorado disponível. Os candidatos e seus pares ficam a todo o momento buscando parcerias, vídeos, fotos e “joinhas” de pastores, padres, empresários, jornalistas, cantores, sindicalistas e outros que podem agregar números interessantes nas urnas eletrônicas.

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Soluções mágicas:

O interessante são as soluções rápidas, eficientes e mágicas que marcam esse período. Diminuir a violência? Contrataremos mais polícias e aumentamos o número de câmeras. Melhorar a saúde? Contrataremos mais médicos e ampliar os horários de atendimento nos postos de saúde. Melhorar a educação? Contratar mais professores e escolas com atividades e período integral. Emprego? Fazer o país virar um canteiro de obras e construção de rodovias, pontes etc. Nota-se o uso de soluções muito fáceis para problemas complexos, realmente isso é intrigante. Respostas superficiais e vazias são o que ouvimos sem limites.

Extremismos:

Os políticos em sua grande maioria usam as ideias, palavras e discursos extremos, agressivos e enfáticos para passar uma imagem de credibilidade e respeito. As classificações são Extrema-direita, Extrema-esquerda, Centrão, Esquerda-moderada, Direita radical, etc. São tantas classificações que nem mesmo os próprios integrantes conseguem responder o que elas significam de verdade.

As ideias radicais ou impactantes de lados opostos são mais prejudiciais do que benéficas na maioria das vezes. Os ataques verbais e em redes sociais são constantes e o resultado é uma verdadeira confusão sem resultado produtivo. Não existem candidatos totalmente preparados para assumir o comando de um Estado / Nação ou mesmo uma cadeira no Legislativo estadual ou Federal.

Conhecemos todos superficialmente e não conseguimos adivinhar o que o determinado elemento poderá fazer após tomar posse no cargo em que disputa. Nos debates políticos não observamos exposição de ideias, que seria o principal de uma campanha, mas sim dedos apontados e elevação da voz como se fossem crianças birrentas brigando por causa de doces. É lamentável o nível de candidatos que temos e as propostas mirabolantes que eles conseguem falar e afirmar com convicção. Extrema burrice, extrema loucura, extrema ignorância e logo mais extremos desastres.

Corrupção:

Todos os partidos possuem pessoas envolvidas com corrupção em menor ou maior escala. Nos últimos anos, através da Operação Lava-Jato e outras vieram a tona os podres e a revelação da corrupção em larga escala que corria em ocultos de nossos olhos. Os candidatos agora utilizam a expressão “eu sou ficha limpa, acreditem em mim” como se isso fosse um ponto forte de um representante público, o que deveria ser requisito mínimo para alguém que pretende atuar nessa importante área que é vista somente como “galpão de negócios” no Brasil. Bons políticos podem mudar a história de uma nação quando agem seriamente e em prol das necessidades essenciais para o desenvolvimento e qualidade de vida das pessoas.

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No Brasil infelizmente a política já não tem mais credibilidade e isso dificuldade até a entrada de pessoas que tenham boas intenções devido a sujeira que a política traz até mesmo a vida pessoal de seus integrantes. Tornou-se um jogo desigual e insano em busca de poder e influência utilizando as pessoas como meros degraus para chegar ao cargo pretendido. Nessa eleição cada pessoa deverá pesquisar os nomes, histórico e propostas de seus candidatos, usando o bom senso e informação disponível para escolher alguns integrantes no meio dessa “manada” que está andando de um lado para o outro atrás de um voto de confiança.

Esse texto é somente uma analise superficial sem adotar preferências políticas ou partidárias, respeitando a liberdade individual que cada um tem em escolher o candidato que melhor o represente segundo seus valores, crenças, ideias e esperança de um País mais digno e próspero.

Referências:

https://edisciplinas.usp.br

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Douglas Henrique Reginato
Graduado em Administraçao de Empresas (Uenp) . Pós graduado em Gestão Estratégica de Pessoas (Unopar - PR). MBA em Marketing Estratégico voltado a lucratividade (Unifil Londrina). Gosto de musica clássica e leio livros e revistas dos mais variados temas. Procuro ampliar minha visão de mundo e contribuir de alguma forma com a sociedade. Sou um eterno estudante.

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