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Ser homossexual no Brasil é um fator de risco. É o que mostra o relatório produzido pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), entidade de reconhecimento internacional e que há 30 anos monitora os casos de violência contra homossexuais.

Em 2012 Foram documentados 338 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil, incluindo duas transexuais brasileiras mortas na Itália. Um assassinato a cada 26 horas! Um aumento de 27% em relação ao ano passado (266 mortes) crescimento de 177% nos últimos sete anos.

Os gays lideram os “homocídios”: 188 (56%), seguidos de 128 travestis (37%), 19 lésbicas (5%) e 2 bissexuais (1%). Em 2012 também foi assassinado brutalmente um jovem heterossexual na Bahia, confundido com gay, por estar abraçado com seu irmão gêmeo.

A maior parte delas aconteceu em São Paulo, que lidera o triste ranking dos estados onde mais homossexuais são mortos violentamente. Proporcionalmente, o maior índice de assassinatos está no Mato Grosso do Sul.

Apesar de São Paulo ser o estado onde mais LGBT foram assassinados, 45 vítimas, Alagoas com 18 homicídios é o estado mais perigoso para homossexuais em termos relativos, com um índice de 5,6 assassinatos por cada milhão de habitantes, sendo que para toda a população brasileira, o índice é 1,7 vítimas LGBT por milhão de brasileiros. Paraíba ocupa o segundo lugar, com 19 assassinatos e 4,9 crimes por milhão, seguido do Piauí com 15 mortes, 4,7 por milhão de habitantes. No outro extremo, os estados onde registraram-se menos homicídios de LGBT foram o Acre – aparentemente nenhuma morte nos últimos dois anos, seguido de Minas Gerais, cujas 13 ocorrências representam 0,6 mortes para cada milhão de habitantes, Rio Grande do Sul e Maranhão com 0,7, Rio de Janeiro com 0,8 e São Paulo, 1,07 mortes por cada milhão de habitantes.

O Nordeste confirma ser a região mais homofóbica do Brasil, pois abrigando 28% da população brasileira, aí concentraram-se 45% das mortes, seguido de 33% no Sudeste e Sul , 22% no Norte e Centro Oeste. Embora Manaus tenha sido a capital onde foi registrado o maior número de assassinatos, 14, numero altíssimo se comparado com os 12 de São Paulo, em termos relativos, Teresina é a capital mais homofóbica do Brasil, com 15,6 homicídios para pouco mais de 800 mil habitantes, seguida de Joao Pessoa, com 13,4 mortes para 700 mil. Maceió ocupa o terceiro lugar, com 10,4 assassinatos para pouco mais de 900 mil habitantes, enquanto S.Paulo teve 12 mortes de lgbt, o que representa 1,05 para mais de 11 milhões de moradores. Não se observou correlação evidente entre desenvolvimento econômico regional, escolaridade, religião, raça, partido político do governador e maior índice de homofobia letal.

O Brasil confirma sua posição de primeiro lugar no ranking mundial de assassinatos homofóbicos, concentrando 44% do total de execuções de todo o planeta.

Nos Estados Unidos, com 100 milhões a mais de habitantes que nosso país, foram registrados 15 assassinatos de travestis em 2011, enquanto no Brasil, foram executadas 128 “trans”.O risco, portanto, de uma trans ser assassinada no Brasil é 1.280% maior do que nos Estados Unidos.

Todos os dados são do último relatório divulgado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), uma das mais antigas organizações de defesa de homossexuais no Brasil. Para o levantamento, o órgão analisa notícias divulgadas na imprensa, dados da polícia e os enviados por organizações não-governamentais.

O antropólogo e fundador do GGB, Luiz Mott, explica que as mortes são, em sua ampla maioria, provocadas pelo fato das vítimas serem homossexuais. Há casos explícitos de ódio, em que os criminosos deixam recados do tipo “odeio gay” ou praticam violência extrema, como castração.

Outro dado interessante, divulgado pelo Programa Rio Sem Homofobia, é de que no estado do Rio de Janeiro o local em que os homossexuais mais sofreram agressões, em 2012, foi o ambiente familiar. Do total de denúncias registradas nos quatro centros de referência no estado e pelo número 0800-234567, 22% foram praticados pelos próprios amigos e parentes, dentro das casas das vítimas.

“É assustador você ter o ambiente familiar como o principal local de violência contra homossexuais. Dá a noção de quanto é séria a situação de vulnerabilidade em que vivem. Em casa, com seus pais, irmãos e parentes, é que eles sofrem a maior parte da violência verbal e física”, avaliou Cláudio Nascimento, coordenador do Programa Rio Sem Homofobia.

O segundo lugar onde a violência é mais frequente é a rua (18%), o que agrava o problema, na visão do coordenador: “Na prática, o direito de ir e vir dos homossexuais está sendo cassado. Se não é surpreendente, é entristecedor. A gente vem debatendo a questão dos direitos humanos, mas nosso país ainda está patinando”. O ambiente de trabalho e a escola também estão entre os principais áreas em que há a prática da homofobia.

Fonte: Grupo Gay da Bahia (GGB).

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