Em uma rede social, o padre admitiu que ficou uma semana trancado em casa, com sensação de morte e tristeza profunda: “Nunca chorei tanto na minha vida”.

Meus queridos amigos, Saibam por mim o que sobre mim é verdade. Há 3 meses enfrentei um problema grave familiar. Desde então parei de dormir direito e passei a enfrentar uma angústia muito grande. Há 20 dias tive sintomas de síndrome do pânico, diagnóstico que já tinha tido 2 anos atrás e que superei muito rapidamente na época. Desta vez foi muito diferente. Fiquei praticamente uma semana trancado em casa, com sensação de morte, tristeza profunda e medo de tudo. Nunca chorei tanto na minha vida. Meu amigo e médico Dr. Víctor Sorrentino recomendou-me uma psiquiatra de sua confiança. Desde então estou fazendo um tratamento. Os medicamentos fizeram uma enorme diferença. Tenho conseguido cumprir meus compromissos e procurado fazer uma rotina mais leve que me permita estar entre amigos que amo. Estou me sentindo bem melhor, ainda que não me sinta inteiro. Agradeço muito o carinho de todos vocês e também dos jornalistas que nos procuraram querendo tratar com respeito e profissionalismo o que tenho enfrentado. Quando estiver mais inteiro eu falarei mais sobre o assunto, pois sei que minha partilha poderá ajudar os que enfrentam o mesmo problema que eu. Por ora é viver, buscar o equilíbrio que Deus me concede através das escolhas que posso fazer.

Em entrevista dada a apresentadora do Fantástico, Poliana Abritta, que foi ao ar no dia 20/08/2017, o padre Fábio falou sobre o drama que viveu. Ele contou que chegou a ficar trancado em casa por uma semana e se esconder debaixo da cama durante as crises.

“Eu tinha sensação de morte, sensação de que alguma coisa de muito ruim estava acontecendo comigo. Eu tinha medo de tudo. Tinha medo das pessoas”.

O padre lembrou que tinha ido para Fortaleza no final de julho e, durante o pouso, teve um sintoma semelhante ao que já tinha passado. “Ali eu já não senti vontade de sair do avião”, disse. Na ocasião, ele tomou um medicamento e foi para o hotel. Ao retornar para sua casa todos os sintomas voltaram. “Eu desabei. As vezes eu me pegava me escondendo debaixo da cama. Tamanho o pavor que eu sentia”, completou.

Muito emocionado, ele contou ainda que nos dias dos ataques de pânico só queria falar com a mãe e que a doença abalou muito sua fé. “Foram dias em que eu decidi tanta coisa dentro de mim. Eu pensei: eu não quero mais ser padre. Eu não tenho mais coragem de enfrentar as pessoas. Não tenho mais condições de ser quem eu sou”.

Tratamento

Fábio de Melo também comentou sobre o tratamento. Atualmente ele está fazendo uso de medicamentos e o próximo passo será terapia. “Eu tenho que pensar o tempo todo que vou dar conta. Que isso não é um bicho de sete cabeças. Ajudado pela química que já está no meu organismo. Eu tinha um pouco esse preconceito”, comentou sobre os remédios.

Quando questionado se temia novas crises, ele confirmou. “Eu tenho medo do medo. A gente acaba virando escravo do medo. Tenho muita humildade em dizer que não estou inteiro. Estou trabalhando, mas eu não posso parar. Porque eu tenho consciência que parar hoje significa dar razão à síndrome do pânico e permitir que ela tome conta de mim”, acrescentou.

“Hoje eu estou mais confiante. Retomei essa fé que me move. Se eu já tinha um respeito sobre o sofrimento humano e pelo mistério que é o ser humano. Hoje eu tenho muito mais”, concluiu.

Leia também: Depressão e suicídio na Igreja: quando os padres precisam de ajuda

Outro Caso

O Padre Marcelo Rossi, há algum tempo, atrás também foi noticia devido a um problema com depressão. Na época o próprio padre Marcelo, declarou que antes de ser acometido pelo transtorno achava que a depressão era “só frescura”.

Esse tipo de declaração, especialmente vindo de pessoas ligadas a mídia e que são “referencia” para muitas pessoas, mostra uma realidade preocupante: a das pessoas que, ao acreditar que a doença não existe, prejudicam o seu tratamento e o dos outros.

Que lição podemos levar disso?

Os transtornos mentais, a exemplo da depressão e da fobia, não são “frescura” e nem devem ser banalizados, não são falta de “Deus” como muitas pessoas colocam, se assim o fossem não teríamos esses dois exemplos, eles podem acometer qualquer pessoa. Por mais que você acredite na ajuda divina, às vezes ela não é o suficiente, a exemplo desses dois padres.

Não estou com isso dizendo que não se deve ter fé e acreditar em algo, cada um deve seguir suas próprias crenças. A fé inclusive ajuda muitas pessoas a se levantar, mas é preciso entender que, em muitas situações, somente ela não basta. É necessário ajuda especializada, psicoterapia, e nos casos mais graves, medicamentos que são receitados através de um psiquiatra.

Infelizmente ainda parece muito difícil as pessoas aceitarem transtornos como a depressão como uma doença grave e incapacitante. O que eu digo, é para irem se acostumando, pois cada dia que passa, veremos mais pessoas sofrendo com, estresse, depressão, ansiedade, entre outros. A causa disso? A nossa vida moderna de loucura e correria, entre outras coisas.

 

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