Tudo estava branco e preto.

Nublado, machucado, dolorido, traumatizado.
Tudo estava pacato e sem expectativa.
Em contrapartida, tudo estava, praticamente, superado. Como se tivesse aceitado, desistido de que fosse diferente.
 
– Então tá. É assim que tem que ser, não vai mudar, não vou mais tentar.
 
Foi quando você apareceu. Da forma mais inusitada e inesperada. 
Chegou mudando tudo.
Chegou clareando, modificando e foi cicatrizando a cada dia um pouco. 
Colorindo, fluindo.
Foi dando cor ao que estava cinza. Foi dando vida ao que estava adormecido.
Tudo tão rápido e intenso, chegava a assustar, mas era impossível não se deixar levar.
Tinha que ter sido vivido, sem pensar, sem calcular.
Simplesmente, sentir, fazer. Simplesmente, viver.
O olhar, a boca, o furo no queixo, o cheiro, o cabelo preto, o beijo, o abraço. 
As diferenças que se encontravam. As compatibilidades que se encaixavam.
Os traumas que se compreendiam. As histórias que se juntavam.
Os dias de sol, as tardes de chuva. 
Os passeios pela Praça, as caminhadas pela Pontinha.
Cada passeio, cada conversa. As risadas, as músicas.
Você cantando, eu escutando. E rindo.
As suas fotos sério e as sorrindo, que aumentavam espontaneamente com o tempo.
 
Tempo. Curto tempo. Breve tempo. Tão pouco tempo.
 
Momentos de meses, ou anos, vividos em menos de sessenta dias.
Os minutos, os segundos. Parecia que íamos mais depressa do que os milésimos. 
Vivendo, descobrindo, querendo, propondo, aceitando, fazendo.
 
E de repente você morreu por dentro, parou por fora e se afastou de mim.
 
Como um blackout. Tudo se apagou, perdeu a cor.
Por falta de Amor. 
“Mas eu ainda não te amo.” – eu disse.
E você se afastou.
 
Agora estou aqui, tentando entender, me fortalecer, não me entregar e te esperar.
Esperar o seu tempo.
Tempo longo. Tempo eterno. Tempo interminável.
Inesgotável é a minha vontade de te ver voltando, aparecendo, me procurando.
Me abraçando.
Quero te ajudar, mas não posso nem tentar. Você quer ficar sozinho.
E eu me sinto um passarinho que caiu do ninho sem você do meu lado.
 
Quanto tempo dura um tempo?
 
Quanto tempo sobrevivo pelo seu tempo de precisar de um tempo longe de mim?
Não faz assim. Não me deixa aqui. Você precisa de mim.
 
Você me dá um tempo pra eu dizer o quanto preciso de você?!
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Renata Galbine

Paulistana, 30 anos, virginiana e, sim, acredito em Signos e tenho muito do meu em mim. Desde muito nova, gosto e tenho facilidade em escrever. Escrevo sobre tudo aquilo que me inspira. A Renata, é uma mistura de letras e músicas. Amo dançar. Intensa. Sentimental. Quase que uma Bomba Relógio. Praticamente, um campo minado que é necessário tomar cuidado a cada passo que der.

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