O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) pode ser definido como um distúrbio da ansiedade caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas físicos, psíquicos e emocionais. Esse quadro ocorre devido à pessoa ter sido vítima ou testemunha de atos violentos ou de situações traumáticas que representaram ameaça à sua vida ou à vida de terceiros. Quando ele se recorda do fato, revive o episódio como se estivesse ocorrendo naquele momento e com a mesma sensação de dor e sofrimento vivido na primeira vez. Essa recordação, conhecida como revivescência, desencadeia alterações neurofisiológicas e mentais. O TEPT ficou popularmente conhecido e divulgado devido ao elevado numero de ex combatentes de guerras apresentarem o transtorno.

O transtorno de estresse pós-traumático é provavelmente um transtorno muito comum, porém pouco conhecido, como nas décadas passadas foram desconhecidos porém frequentes os transtornos de pânico, fobia social, obsessivo compulsivo. O estresse pós-traumático se diferencia dos demais transtornos de ansiedade e da maioria dos transtornos mentais por ser causado a partir de um fator externo. O aparato mental do homem é capaz de lidar com situações estressantes sem que isso deixe cicatrizes, da mesma forma que os vasos sanguíneos são capazes de suportar elevações da pressão arterial durante o exercício físico normalmente. Há, contudo limites a partir dos quais o funcionamento mental fica perturbado. Provavelmente isso ocorre quando os mecanismos de enfrentamento e suporte contra estresse são fracos ou quando os estímulos são fortes demais.

Quando surgirá o transtorno não podemos saber, o fato de uma pessoa ter passado por um trauma não significa necessariamente que ela terá estresse pós-traumático. Observa-se que num mesmo evento, algumas pessoas podem apresentar esse transtorno e outras não. Essas variações nos levam a julgar que existem também predisposições pessoais a este problema, o que de fato tem sido constatado. Pessoas com outros problemas de ansiedade prévios apresentam maior suscetibilidade a desenvolverem o estresse pós-traumático.

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Entre os fatores que contribuem para o desenvolvimento do TEPT, estão:

  • A extensão em que o evento traumático afetou a vida íntima e pessoal do afetado;
  • A duração do evento;
  • Tendência orgânica ao desenvolvimento de transtornos de humor e de ansiedade;
  • Inexperiência/despreparo para lidar com o evento;
  • Múltiplas experiências traumáticas;
  • Experiência traumática causada por conhecidos;
  • Pouco ou nenhum apoio social/funcional após o episódio.

Causas

As causas do transtorno do estresse pós-traumático podem ser situações como atos violentos, situações traumáticas que representaram ameaça à vida da pessoa ou à de terceiros.

Quando se fala de ameaça à vida, há várias dimensões da vida que podem ser ameaçadas: dimensão física, dimensão psíquica (ameaças como assédio, humilhações e outras violências psíquicas), dimensão social (micro e macro social) e ainda a dimensão espiritual. Em todas estas dimensões podem haver situações de extrema violência ou ameaça e de certa forma produzirem um quadro de estresse pós-traumático

Fatores de risco

Há diversos estudos que apontam eventos ocorridos na infância e adolescência como fatores que tornam as pessoas mais vulneráveis ao transtorno do estresse pós-traumático. Em geral, se encaixam situações de bullying infantil, situações de violência doméstica, situações que passam despercebidas na escola devido a dificuldades em adaptação (sociabilização) ou aprendizado (TDAH) e essas crianças são estigmatizadas e ridicularizadas.

Outros fatores a serem considerados são crianças expostas a desastres naturais (enchentes, terremotos, etc ), e os filhos da violência urbana devido às desigualdades sociais existentes que deixam marcas profundas. A violência social e estrutural também é sem dúvida um grande fator responsável pelo aumento da prevalência do transtorno de estresse pós-traumático durante o desenvolvimento na adolescência.

Sintomas

O transtorno pode se manifestar de três formas:

  • Rememorar o evento de forma a atrapalhar o dia a dia: flashbacks nos quais o acontecimento parece estar sendo repetido diversas vezes, memórias desagradáveis frequentes, pesadelos contínuos sobre o episódio, reações fortes a situações que lembrem o acontecido.
  • Esquiva-se: sentir que nada faz sentido, considerar-se inútil, não se lembrar de fatos importantes sobre o evento, não se interessar por atividades normais, mau humor, evitar lugares, pessoas ou pensamentos que lembrem o acontecido, sentir que não há futuro.
  • Hipervigilância: ficar alerta o tempo todo para qualquer sinal que pareça perigoso, não conseguir se concentrar, assustar-se facilmente, se sentir irritado ou ter surtos de raiva, ter problemas para dormir ou manter o sono.

Sinais Físicos

  • Agitação
  • Vertigem/tontura
  • Taquicardia/palpitação
  • Dor de cabeça

Comorbidades

Os transtornos associados mais frequentes em pacientes com TEPT são:

  • Distúrbios do humor, especialmente depressão maior (46% a 51%);
  • Transtornos de ansiedade (29% a 56,1%);
  • Abuso/dependência de substâncias psicoativas, especialmente alcoolismo em 27% a 80%;
  • Transtorno obsessivo-compulsivo (13%);
  • Transtornos somatoformes risco de 3 vezes maior;
  • Transtornos dissociativos: 90% dos pacientes com quadros dissociativos internados em hospital psiquiátrico tem TEPT;
  • Transtorno de personalidade

 

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