A Síndrome de Savant é um distúrbio psíquico raro onde a pessoa possui graves déficits intelectuais. Nesta síndrome, a pessoa tem sérias dificuldades em se comunicar, compreender o que lhe é transmitido e estabelecer relações interpessoais. No entanto, possui inúmeros talentos, principalmente ligados à sua extraordinária memória.

Também conhecida como Síndrome do sábio porque savant em francês significa sábio e muitas vezes pejorativamente de Síndrome do idiota-prodígio por conta dos Savantes possuírem uma grande habilidade intelectual aliada a um déficit de inteligência.

Encontrada em mais ou menos uma em cada 10 pessoas com autismo e em, aproximadamente, uma em cada 2 mil com danos cerebrais ou retardamento mental, a síndrome do sábio é citada na literatura científica desde 1789, quando Benjamim Rush, o pai da psiquiatria americana, descreveu a incrível habilidade de calcular de Thomas Fuller, que de matemática sabia pouco mais do que contar. Em 1887, no entanto, John Langdon Down, mais conhecido por ter identificado a síndrome de Down, descreveu 10 pessoas com a síndrome do sábio, com as quais manteve contato ao longo de 30 anos – como superintendente do Earlswood Asylum (Londres). Langdon usou o termo idiot savant (idiota-prodígio), para identificar a síndrome, aceito na época em que um idiota era alguém com QI inferior a 25.

Atualmente, graças aos cerca de cem casos descritos na literatura científica, sabe-se muito mais sobre esse conjunto de habilidades – condição rara caracterizada pela existência de grande talento ou habilidade, contrastando fortemente com limitações que, geralmente, ocorrem em pessoas com QIs entre 40 e 70 – embora possa ser encontrado em outras com QIs de até 114

Esta síndrome é mais comum desde o nascimento, aparecendo frequentemente em crianças com autismo, porém também pode se desenvolver na idade adulta quando se sofre traumatismo cerebral, ou alguma virose com encefalite, por exemplo.

A síndrome de Savant não tem cura, mas o tratamento ajuda a controlar os sintomas e a ocupar o tempo livre, melhorando a qualidade de vida dos portadores da síndrome.

Principais características da síndrome

A principal característica da síndrome de Savant é o desenvolvimento de uma capacidade extraordinária em uma pessoa com deficiência mental. Essa capacidade pode estar relacionada com:

  • Memorização: é a capacidade mais comum nestes casos, sendo comum a memorização de horários, listas telefônicas e até dicionários completos;
  • Cálculo: são capazes de fazer cálculos matemáticos complexos em poucos segundos, sem utilizar papel ou qualquer aparelho eletrônico;
  • Habilidade musical: são capazes de reproduzir uma peça musical inteira após a ouvirem apenas uma vez;
  • Habilidade artística: apresentam excelente capacidade para desenhar, pintar ou fazer esculturas complexas;
  • Linguagem: conseguem compreender e falar mais do que uma língua, existindo casos em que desenvolvem até 15 línguas diferentes.

A pessoa pode desenvolver apenas uma destas capacidades ou várias, sendo que as mais comuns são as relacionadas com memorização cálculo e habilidade musical.

Como é feito o tratamento

Geralmente o tratamento para a Síndrome de Savant é feito com terapia ocupacional para ajudar no desenvolvimento da capacidade extraordinária do paciente. Além disso, o terapeuta pode ajudar a pessoa a melhorar as suas capacidades de comunicação e compreensão através da utilização dessa capacidade.

Além disso, pode ser necessário fazer o tratamento do problema que levou ao surgimento da síndrome, como traumatismos ou autismo. Dessa forma, pode ser necessária uma equipe de profissionais de saúde para ajudar a melhorar a qualidade de vida do portador da síndrome.

Casos mais conhecidos

  • Leslie Lemke – Aos 14 anos tocou, com perfeição, o Concerto nº 1 para piano de Tchaikovsky, depois de ouvi-lo pela primeira vez enquanto escutava um filme de televisão. Lemke jamais tinha tido aula de piano, é cego, mentalmente incapacitado e tem paralisia cerebral.
  • Richard Wawro (Escócia) é reconhecido internacionalmente por seus trabalhos artísticos. Um professor de arte (Londres), quando Wawro era ainda criança, descreveu-o como incrível fenômeno, com a precisão de um mecânico e a visão de um poeta. Wawro é autista.
  • Kim Peek memorizou mais de 12.000 livros. Descreveu os números de rodovias que vão para qualquer cidade, vilarejo ou condado dos EUA, códigos DDD, CEPs, estações de TV e as redes telefônicas que os servem. Identificava o dia da semana de uma determinada data em segundos. Era mentalmente incapacitado e dependia de seu pai para suas necessidades básicas. Peek serviu de inspiração para o personagem Raymond Babbit, que Dustin Hoffman representou em 1988 no filme Rain man. Faleceu, aos 58 anos, no dia 19/12/2009 de infarto nos EUA.
  • Alonzo Clemons pode criar réplicas de cera perfeitas de qualquer animal, não importa quão brevemente o veja. Suas estátuas de bronze são vendidas por uma galeria em Aspen, Colorado, e lhe deram reputação nacional. Clemons é mentalmente incapacitado.
  • Daniel Tammet tem a capacidade de dizer os “primeiros” 22.514 dígitos de PI e aprender línguas rapidamente (fala 11 línguas).
  • Stephen Wiltshire, o homem câmera. Um autista londrino famoso por sua memória fotográfica. Após sobrevoar uma cidade, observa detalhes importantes e específicos, desenhando-a e pintando-a posteriormente, em seus mínimos detalhes.

Referências

  • visionvox.com.br/biblioteca/o/os-fantasmas-do-cérebro.rtf
  • Revista Viver Mente&Cérebro – Edição Especial nº 5.
  • Revista Super Interessante – Edição nº256
  • Revista Professor Leitão – Edição nº97

 

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