O Transtorno de Oposição Desafiante (DSM-V), ou Transtorno Desafiador de Oposição (CID-10), é definido como um padrão persistente de comportamento desobediente, hostil e desafiador contra figuras de autoridade (como pais e professores). Crianças e adolescentes com TOD são rebeldes, teimosos, se opõem a adultos e se recusam a obedecer. Frequentemente têm explosões de raiva e dificuldade em controlar suas emoções.

Obviamente, qualquer criança ou adolescente, até os mais bem comportados, podem ocasionalmente serem hostis ou recusarem a cooperar. Entretanto, naqueles diagnosticados com TOD, os comportamentos de raiva, oposição e agressão são constantes.

Crianças com esse transtorno tendem frequente e ativamente a desafiar os pedidos ou normas dos adultos e deliberadamente aborrecer outras pessoas. Usualmente, elas tendem a serem coléricas, ressentidas e facilmente se aborrecem com outras pessoas, a quem culpam por seus próprios erros e dificuldades. Elas geralmente têm uma baixa tolerância à frustração e rapidamente perdem a paciência.

Cerca de 65% das crianças com o diagnóstico de TOD deixarão de apresentar os sintomas nos anos seguintes, desde que acompanhados terapeuticamente. O restante pode permanecer ou intensificar os sintomas, evoluindo para o chamado Transtorno de Conduta, em que os jovens apresentam agressividade, comportamento antissocial e constantemente violam as regras de convívio.

Quando o TOD não é tratado, a evolução para o transtorno de conduta ocorre em até 75% dos casos de crianças com o diagnostico inicial. O TOD é considerado como um antecedente evolutivo do transtorno de conduta, que é caracterizado por sérias violações dos direitos alheios e normas sociais.

Naquelas em que o início dos sintomas se iniciaram antes dos oito anos de idade, o risco de evolução será maior. Ou seja, o diagnóstico e o tratamento precoces exercem um papel preventivo importante. Além disso, quando adultos, há maior risco de desenvolvimento de problemas de controle de impulsos, abuso de álcool e drogas ilícitas, ansiedade e depressão.

Sintomas e Comportamentos Mais Frequentes do Transtorno Opositivo Desafiador:

  • Comportamento desafiador (desafia normas e recomendações de adultos, até mesmo conselhos para não se machucar);
  • Desobediência – frequentemente se opõe a regras;
  • Irritabilidade;
  • Agressividade;
  • Impulsividade;
  • Dificuldades de relacionamento com colegas;
  • Comportamento vingativo;
  • Explosões de Raiva;
  • Ansiedade;
  • Comportamento antissocial;

Esses comportamentos são considerados como parte do transtorno quando são constantes ao longo do tempo e quando são excessivos quando comparados a outras crianças. Pode ser limitado a um único ambiente ou se manifestar em diferentes espaços (na própria casa, na casa de parentes e colegas, na escola).

Geralmente, as primeiras características do transtorno se manifestam durante os anos de pré-escola. Também podem aparecer pela primeira vez, embora seja mais raro, na adolescência.  É importante ressaltar que, comumente, a frequência de comportamentos de oposição é maior em crianças da pré-escola ou mesmo em adolescentes. Portanto, para o diagnóstico, deve ser levada em consideração a avaliação da frequência e da intensidade desses comportamentos em relação ao nível considerado normal nesses períodos.

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Causas do Transtorno Opositivo Desafiador:

Não há um fator causal específico para o TOD. Entretanto, a maioria dos especialistas consideram que o TOD é consequência de uma combinação de predisposição neurobiológica e, principalmente, fatores de risco psicológico e do ambiente social. A maioria das teorias causais enfatizam fatores de riscos sociais e psicológicos, sobretudo no ambiente familiar: 

  • Relacionamento negativo com os pais;
  • Pais negligentes ou ausentes;
  • Comportamento agressivo dos pais;
  • Vivências de vulnerabilidades sociais;
  • Ambiente social desregrado;
  • Instabilidade familiar;
  • Abuso físico, sexual e/ou psicológico;
  • Disciplina inconsistente;
  • Dificuldade ou inabilidade em construir relações sociais;
  • Vivência em comunidades com alto índice de criminalidade e/ou situações de miséria;
  • Abuso de álcool e outras drogas na família.

Como lidar com Transtorno Opositivo Desafiador?

Conviver com uma pessoa que seja diagnosticada com o Transtorno Opositivo Desafiador não é uma tarefa simples; é preciso jogo de cintura. Por isso ao perceber os primeiros sintomas de TOD, é importante que os pais procurem especialistas em psicologia, psiquiatria e neuropediatria. O tratamento para o problema é multidisciplinar e exige suporte escolar e psicoterapia comportamental, e nos casos mais graves tratamento médico.

A prescrição de medicamentos visa reduzir a agressividade e o excesso de raiva que atingem os pacientes, e são o primeiro passo no combate dos distúrbios comportamentais da criança. Os procedimentos terapêuticos são grandes aliados no tratamento e podem contar com a presença de psicólogos ou psicopedagogos. Importante lembrar que as pessoas que convivem com esse paciente também podem receber dicas para lidarem com a criança de forma sistematizada e eficaz. Confira algumas dicas para lidar com o problema:

Estabeleça uma unidade entre pais e educadores

A primeira providência deve ser esta: os pais ou cuidadores devem falar a mesma língua e permanecer sempre atentos para evitar que um desautorize o outro no cumprimento das regras. É fundamental que existam regras claras para a rotina da criança e que ambos entrem em um acordo para a condução e aplicação dessas regras, principalmente se os pais não moram juntos. Mesmo separados, os pais precisam alinhar suas ações para driblar o problema. Isso também precisa correr no ambiente escolar e, nesse sentido, estar sempre em contato com os professores e coordenadores é fundamental.

Em nossa sociedade atual, tal postura tem sido incomum devido às separações e terceirizações educacionais, o que empurra a criança a ter vários e divergentes educadores. É importante, mesmo separados, que os pais tomem as mesmas atitudes com a criança mesmo que esta conviva em casas diferentes. O casamento pode ter acabado, mas o filho continua sendo de ambos!

Seja objetivo e claro com as regras

Ao dar ordens, evitando ficar se justificando ou prolongando a conversa, é importante ser direto, falar de forma clara e objetiva. Olhar nos olhos, evitar a agressividade e assumir uma postura firme são atitudes que ajudam a diminuir o comportamento de oposição da criança. Fale de forma a convencer antes de qualquer contra-argumento e assuma a postura de quem realmente manda, sem pestanejar. Este modo de discursar e expor inibe atitudes opositoras e vai condicionando a criança a respeitar autoridades.

Ambiente Saudável

Seja exemplo. Os adultos servem de modelo para as crianças, que repetem os comportamentos dos pais. É importante manter um ambiente familiar organizado e marcado por afeto e respeito, de modo que a criança tenha referências saudáveis.

É importante ser um modelo pacífico e positivo para a criança, evitando agressividade e violência. “Muitos pais confundem limite e monitoramento com intolerância, autoritarismo e violência. Na verdade, a família é um grande modelo de aprendizagem para a criança

Reforço Positivo

Muitas vezes, os castigos e punições se mostram ineficazes. Em vez de apelar para eles, faça o possível para elogiar os acertos e ressaltar as características positivas da criança. Sempre que possível, explique para a criança os motivos de suas decisões, fazendo com que ela entenda as razões de determinadas regras e escolhas.

Ela precisa entender que decisões pensadas em conjunto para o bem de todos são vantajosas e ele pode passar a ganhar muito mais por este caminho. Mas, para isto, todos de casa devem ter a mesma filosofia, senão a criança sempre tenderá a seguir aquele que é mais permissivo.

Comorbidades

O Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) pode vir acompanhado de alguma comorbidade como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), o Transtorno Bipolar, o Transtorno de Conduta (TC) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O acompanhamento psicológico ou psicopedagógico serve para que os profissionais trabalhem também a conduta do indivíduo perante as situações da vida, o que refletirá na fase adulta.

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Coordenador de TI e Psicólogo. Resolveu estudar psicologia porque queria entender melhor a mente das pessoas, e embora tenha se decepcionado um pouco com algumas coisas que apreendeu ainda acredita no poder de amar e evoluir do ser humano. Idealizador do Pensamento Líquido. Apaixonado por filmes de terror, seriados, anime e mangás e livros de aventura. Não dispensa uma boa comida e bebida na companhia de amigos, especialmente se for pra curtir um bom e velho rock n roll.

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