Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)

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O transtorno obsessivo-compulsivo, conhecido popularmente pela sigla TOC, é um distúrbio psiquiátrico de ansiedade descrito na quinta edição do Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais, o DSM-V (no termo em inglês) e na décima edição da CID (Classificação Internacional de Doenças). Sua principal característica é a presença de crises recorrentes de pensamentos obsessivos, intrusivos e em alguns casos comportamentos compulsivos e repetitivos.

Analogicamente falando, uma pessoa com TOC é como um disco riscado, que repete sempre o mesmo ponto daquilo que está gravado. Pacientes com este transtorno sofrem com imagens e pensamentos que os invadem insistentemente e, muitas vezes, sem que consiga controlá-los ou bloqueá-los.

O transtorno obsessivo compulsivo (TOC) caracteriza-se por dois tipos de manifestações: as obsessões ou ideias obsessivas e as compulsões ou rituais compulsivos.

Obsessões

As obsessões são ideias ou imagens que vem à mente da pessoa independente de sua vontade repetidamente. Embora a pessoa saiba que são ideias suas, sem sentido, não consegue evitar de pensá-las. O indivíduo é perturbado continuamente por um pensamento aflitivo como: “Minhas mãos podem estar contaminadas – preciso lavá-las”; “devo ter deixado o bico de gás aberto”; ou “vou machucar meu filho”. Esses pensamentos são considerados intrusivos e desagradáveis pela pessoa que os apresenta. Eles produzem ansiedade.

Compulsões

Par aliviar sua ansiedade, a maioria das pessoas com TOC recorre a comportamentos repetitivos denominados compulsões. As mais comuns são a de lavar as mãos e a verificação repetitiva, como nos dois exemplos mencionados anteriormente. Outros comportamentos compulsivos incluem a contagem (geralmente enquanto a pessoa está realizando outra ação compulsiva, como lavar as mãos), e a arrumação interminável de objetos, com o intuito de manter perfeito alinhamento ou simetria entre eles. Esses comportamentos em geral têm a intenção de proteger a própria pessoa com TOC ou outras pessoas. Normalmente são claramente estereotipados, com pequenas variações de uma ocasião para outra, sendo frequentemente referidos como rituais. A realização desses rituais traz algum alívio da ansiedade à pessoa com TOC, mas esse alívio é apenas temporário.

Como a própria pessoa reconhece que seus pensamentos ou atos são sem sentido, ela procura disfarçar tais manifestações, evitando conversar sobre esse assunto e relutando em procurar auxilio médico psiquiátrico.

O transtorno obsessivo compulsivo inicia em geral no fim da adolescência, por volta dos 20 anos de idade e atinge cerca de 2 em cada 100 pessoas. A doença pode se manifestar em crianças também. Em geral a doença evolui com períodos de melhora e piora; com o tratamento adequado há um controle satisfatório dos sintomas, embora seja pouco frequente a cura completa da doença.

Muitos portadores de TOC apresentam também outros transtornos como fobia social, depressão, transtorno de pânico e alcoolismo. Alguns transtornos mentais como a tricotilomania (arrancar pelos ou cabelos), o distúrbio dimórfico do corpo (ideia fixa de que há um pequeno defeito no corpo, em geral na face) e a síndrome de Tourette (síndrome dos tics) parecem estar relacionados ao TOC.

Causas

Os médicos ainda não são capazes de entender completamente o que está por trás do transtorno obsessivo-compulsivo, mas as principais teorias que cercam as causas da doença dizem respeito a três fatores: a biologia, a genética e o meio ambiente.

Alguns pesquisadores acreditam que o TOC pode ser resultado de alterações ocorridas no corpo ou no cérebro da pessoa. Outros estudos apontam o distúrbio para uma pré-disposição genética – muito embora os genes que estariam eventualmente envolvidos não tenham sido identificados até agora.

Fatores ambientais, como infecções, também parecem estar envolvidos. Pesquisas adicionais, no entanto, ainda precisam ser realizadas para corroborar essa hipótese.

Pesquisas recentes mostram que algumas áreas cerebrais apresentam um funcionamento excessivo nas pessoas com TOC. Sabe-se também que o neurotransmissor serotonina está envolvido na formação dos sintomas obsessivo-compulsivos. Acredita-se também que as pessoas que tem uma predisposição para a doença, reagem excessivamente ao estresse. Tal reação consiste nos pensamentos obsessivos, que por sua vez geram mais estresse, criando assim um circulo vicioso.

O que já se sabe é que esta doença se manifesta por um conjunto de fatores sendo eles desde hereditários até o fatores relacionados ao estilo de vida, situações de estresse, estrutura familiar frágil.

Tratamento de Transtorno obsessivo-compulsivo

TOC não tem cura, mas o tratamento disponível para o transtorno pode ajudar a controlar os sintomas e evitar que eles interfiram ainda mais na qualidade de vida do paciente. Em geral pessoas precisam de tratamento por toda vida, seja somente com medicação ou associado com outras abordagens como psicoterapia. O tratamento do transtorno obsessivo compulsivo envolve a combinação de medicamentos e psicoterapia

Psicoterapia

A psicoterapia cognitivo comportamental é considerada pelos médicos como uma das formas mais eficientes de tratamento para TOC, principalmente se combinado com medicamentos. As técnicas psicoterápicas consistem em expor a pessoa gradualmente a situações em que, normalmente, ela lançaria mão de obsessões e compulsões para lidar. Esse processo continua até que o paciente consiga aprender maneiras saudáveis de lidar com a própria ansiedade, sem recorrer a essas características.

Medicamentos

Certos medicamentos psiquiátricos podem ajudar a controlar as obsessões e compulsões do TOC. Em geral, geral é necessário utilizar doses mais elevadas do que em outros transtornos psiquiátricos e também fazer uso contínuo por maior intervalo de tempo. Costuma-se optar primeiramente por antidepressivos, porém outras medicações como antipsicóticos e ansiolíticos também são usadas para tratar ou controlar os sintomas do TOC.

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