Nascido em 1925 em uma família de judeus poloneses não praticantes, ele e seus familiares transferiram-se para a União Soviética após a invasão e anexação da Polônia (1939) por forças alemãs e soviéticas

Durante a Segunda Guerra Mundial, Bauman serviu ao Primeiro Exército Polonês, controlado pelos soviéticos, atuando como instrutor político. Participou das batalhas de Kolberg e de Berlim. Em maio de 1945, foi condecorado com a Cruz de Valor. Conheceu sua esposa, Janina Bauman, nos acampamentos de refugiados polacos. Janina era uma judia de família próspera que sobreviveu aos horrores da invasão nazista. Zygmunt viveu com Janina (também escritora) até sua morte em 2009.

Estudou sociologia na Academia de Política e Ciências Sociais de Varsóvia. Em 1954 concluiu o mestrado e tornou-se professor assistente de Sociologia na Universidade de Varsóvia. Em 1971, foi convidado para lecionar Sociologia na Universidade de Leeds, Inglaterra, onde também dirigiu o departamento de sociologia da Universidade até sua aposentadoria, em 1990.

Criador do conceito de “modernidade líquida”, foi um dos principais intelectuais do século XX. Permaneceu ativo e trabalhando até seus últimos momentos de vida. Faleceu em 9 de janeiro de 2017.

De acordo com Bauman, nos tempos atuais, as relações entre os indivíduos nas sociedades tendem a ser menos frequentes e menos duradouras. Uma de suas frases poderia ser traduzida, na língua portuguesa, por “as relações escorrem pelo vão dos dedos”. Segundo o seu conceito de “relações líquidas”, formulado, por exemplo, em Amor Líquido, as relações amorosas deixam de ter aspecto de união e passam a ser mero acúmulo de experiências, e a insegurança seria parte estrutural da constituição do sujeito pós-moderno, conforme escreve em Medo Líquido

Leia: Entenda o conceito de Modernidade Líquida de Bauman

Bauman é considerado um pessimista. Seu diagnóstico da realidade em seus últimos livros é sumamente crítico. Em A riqueza de poucos beneficia todos nós?, explica o alto preço que se paga hoje em dia pelo neoliberalismo triunfal dos anos 80 e a “trintena opulenta” que veio em seguida. Sua conclusão: a promessa de que a riqueza acumulada pelos que estão no topo chegaria aos que se encontram mais abaixo é uma grande mentira. Em Cegueira moral, escrito junto com Leonidas Donskis, Bauman alerta sobre a perda do sentido de comunidade em um mundo individualista. Em seu novo ensaio, Estado de crise, um diálogo com o sociólogo italiano Carlo Bordoni, volta a se destacar.

Leia: O Amor Líquido de Bauman

Bauman tem mais de trinta obras publicadas no Brasil, dentre as quais Amor Líquido, Globalização: as Conseqüências Humanas e Vidas Desperdiçadas. Tornou-se conhecido por suas análises do consumismo pós-moderno e das ligações entre modernidade e holocausto.

Algumas frases deixadas por Bauman

“O velho limite sagrado entre o horário de trabalho e o tempo pessoal desapareceu. Estamos permanentemente disponíveis, sempre no posto de trabalho”.

“Tudo é mais fácil na vida virtual, mas perdemos a arte das relações sociais e da amizade”

“Esquecemos o amor, a amizade, os sentimentos, o trabalho bem feito. O que se consome, o que se compra, são apenas sedativos morais que tranquilizam seus escrúpulos éticos”.

“Os grupos de amigos ou as comunidades de bairro não te aceitam sem dar razão, mas ser membro de um grupo no Facebook é facílimo. Você pode ter mais de 500 contatos sem sair de casa, você aperta um botão e pronto”.

“As desigualdades sempre existiram, mas de vários séculos para cá se acreditou que a educação podia restabelecer a igualdade de oportunidades. Agora, 51% dos jovens diplomados estão desempregados e aqueles que têm trabalho têm empregos muito abaixo das suas qualificações. As grandes mudanças na história nunca vieram dos pobres, mas da frustração das pessoas com grandes expectativas que nunca se cumpriram”.

Algumas Obras de Bauman

  • Pensando Sociologicamente (1990)
  • Modernidade e Ambivalência (1991)
  • Vidas em Fragmentos (1995)
  • O Mal-estar da Pós Modernidade (1997)
  • Globalização (1998)
  • Em Busca da Política (1999)
  • Modernidade Líquida (2000)
  • Comunidade (2001)
  • Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos (2003)
  • Vidas Desperdiçadas (2003)
  • Vida Líquida (2005)
  • Medo Líquido (2006)
  • Vida Para Consumo (2007)
  • Tempos Líquidos (2007)
  • Cegueira Moral (2014)
  • A Riqueza de Poucos Beneficia Todos Nós? (2015)
  • Estado de Crise (2016)
  • Estranhos à Nossa Porta (2016)

 

Confira abaixo algumas entrevistas que Bauman concedeu. Vale a pena assistir

 

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Coordenador de TI e Psicólogo. Resolveu estudar psicologia porque queria entender melhor a mente das pessoas, e embora tenha se decepcionado um pouco com algumas coisas que apreendeu ainda acredita no poder de amar e evoluir do ser humano. Idealizador do Pensamento Líquido. Apaixonado por filmes de terror, seriados, anime e mangás e livros de aventura. Não dispensa uma boa comida e bebida na companhia de amigos, especialmente se for pra curtir um bom e velho rock n roll. Para saber mais sobre mim... compre um vinho, pegue um ônibus e venha até a minha casa filosofar sobre a vida.

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