“A morte é mais leve que uma pluma. A responsabilidade de viver é mais pesada que uma montanha”   (Provérbio Japonês)

O que é a morte?

A definição do dicionário cita: substantivo feminino Óbito ou falecimento; cessação completa da vida, da existência. Extinção; falta de existência ou ausência definitiva de alguma coisa: morte de uma espécie; morte da esperança; morte de uma planta.

A morte é um dos temas mais intrigantes e complexos inerentes à vida humana.  Viemos a esse mundo sem pedir e partimos dele igualmente sem saber a hora. Que loucura não? Ninguém quer participar desse encontro indesejado com a morte, isto é, o fim de uma história, vida e carreira.

Morrer significa para a maior parte dos humanos a extinção, cancelamento, rompimento e finalização de um breve intervalo de tempo chamado vida.  O intervalo para milhares é longo, para outros milhares um relâmpago. Alguns nascem e em seguida já partem (natimortos), outros atravessam décadas e até séculos, mas o certo é que hora ou outra se deparam com o fim.

Desde os primórdios, o término da vida é interpretado, ritualizado e venerado de diferentes formas. O Egito imortalizava seus Faraós através da mumificação e cuidado extremo com o corpo de seus líderes e pessoas de destaque. A mitologia grega criou Deuses imortais e com poderes diversos. As religiões cristãs atribuem a morte como descanso e passagem para uma nova etapa de juízo individual e ressurreição coletiva em um futuro misterioso. Os muçulmanos veem na morte a passagem para um paraíso radiante. O certo é que por crença, ficção, pensamento ou discursos morrer faz parte do processo vital.

Leia também: Sobre Perdas, a Morte, o Morrer e o Desejar Morrer.

Talvez o nascimento e a morte sejam as únicas coisas que realmente igualam e nivelam os seres humanos. Todos nascem e consequentemente todos morrem. Fica evidente aquele velho ditado “ninguém ficará para semente”. Já que não ficaremos para e eternidade qual a melhor forma de se imortalizar? Isso representa uma das preocupações e vaidades até mesmo após a morte. Fotos, livros, quadros, imagens, nomes de ruas, monumentos, estátuas, homenagens em vídeos e tantos outros itens são opções para não cair no esquecimento perpétuo.

O escritor e biólogo moçambicano Mia Couto em uma frase de seus livros diz
“Encheram a terra de fronteiras, carregaram o céu de bandeiras, mas só há duas nações: a dos vivos e a dos mortos”. Quer uma verdade maior que essa? Essas duas nações citadas são as que transcendem qualquer cultura, crença e desigualdades ideológicas e sociais.

O século atual é marcado fortemente pelo Humanismo.

Define-se como a “filosofia moral que coloca os humanos como os principais numa escala de importância, no centro do mundo. É uma perspectiva comum a uma grande variedade de posturas éticas que atribuem a maior importância à dignidade, aspirações e capacidades humanas, particularmente a racionalidade”. A nobre figura humana que compra, diverte-se, consome o máximo, exibe-se em redes sociais, declina e desaparece como uma fumaça.

Os humanos querem ser como Deuses e alcançar a imortalidade?

Como isso seria possível? Essa é uma das questões levantadas pelo Historiador Yuval Harari em sua obra “Homo Deus”. Um ser potente, inteligente, belo e insaciável pela sua própria existência desponta neste século. Um sujeito sagaz, elevado e prepotente surge vibrante na aurora do terceiro milênio. O Homo Sapiens ousado e incontrolável busca na ciência alternativas viáveis para postergar a morte ou quem sabe anulá-la em um futuro próximo. Já existem estudos para aproveitamento de cérebro em robôs, clonagens de humanos e os avanços científicos a todo instante para ajudar, operar e elevar ao máximo o nível de saúde e disposição física e mental a nós humanos.

Em um documentário brasileiro por nome de “Nós que aqui estamos por vós esperamos”, o autor retrata a morte sobre diversos aspectos e situações: nas guerras mundiais, nos combates diários, as ditaduras opressoras, a vida no importante século XX e diversas outras situações. A frase que dá título ao documentário é inspirada em um cemitério da cidade de Paraibuna (interior de SP) que tem essa mensagem em um portal de entrada do cemitério. Essa tradição é europeia e remonta a antigos cemitérios de importantes cidades antigas espalhadas pelo continente europeu.

“Nós que aqui estamos por vós esperamos”

Acredito que essa frase seja proposital e se ramifica em diversas dimensões e interpretações. Lembra-nos que aqueles que estão lá (ou já não estão devido ao tempo) um dia também estiveram fora e viveram o melhor ou o pior de suas vidas como os demais. A morte não adota critério de idade, classe social, status, religião, renda, etnia ou profissão. Em um piscar de olhos somo e não somos, estamos em pé ou deitados derrubados pela sua força opressora.

Leia também: Eros e Thanatos: “Instintos” de vida e morte de Freud

O que fazermos para não ter uma vida vazia e sem sentido?

Ajudar o próximo, fazer o bem a todos, ser honesto, ler, estudar, trabalhar, viajar e desfrutar dos bons momentos com equilíbrio para que esse lapso de tempo tenha um significado maior do que simplesmente existir…

Espero com esse texto ter convidado você a uma reflexão profunda acerca da própria existência e da responsabilidade sublime de viver e ter uma trajetória e nome que compense ser lembrado. Espero que o mundo fique um pouco melhor por eu ter estado aqui! Pense nisso.

 ” Um dia seremos apenas um retrato na estante de alguém, depois nem isso ” … Com muito esmero talvez o nome fique numa estátua, nome de rua ou praça… Por isso o tempo é agora, o dia é hoje e o investimento cai na conta da alma! – Igor Brito Leão

E olhei, e eis um cavalo amarelo, e aquele que estava assentado sobre ele tinha por nome, Morte; e o inferno o seguia; e foi-lhe dado poder para matar a quarta parte da Terra, para matar com a espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra. (Bíblia Sagrada – Apocalipse 6:8)

Referências

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Douglas Henrique Reginato
Graduado em Administraçao de Empresas (Uenp) . Pós graduado em Gestão Estratégica de Pessoas (Unopar - PR). MBA em Marketing Estratégico voltado a lucratividade (Unifil Londrina). Gosto de musica clássica e leio livros e revistas dos mais variados temas. Procuro ampliar minha visão de mundo e contribuir de alguma forma com a sociedade. Sou um eterno estudante.

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