A Esquizofrenia é um transtorno mental caracterizado, conforme o DSM V, pelos seguintes sintomas: delírios, alucinações, discurso desorganizado, comportamento desorganizado ou catatônico. Ocorre a apresentação de outras questões diagnósticas. No entanto, as primeiras são as mais características e passíveis de observação através do olhar do leigo.

A etiologia da Esquizofrenia é complexa, pois é multifatorial. Sabe-se que existe a participação de fatores genéticos, ambientais, sociais, entre outros. Infelizmente, até hoje, não foi possível encontrar uma cura para Esquizofrenia. Contudo, a esquizofrenia tem sido objeto de diversas pesquisas nas áreas da Farmácia, da Psiquiatria, da Psicologia, entre outras áreas do conhecimento.

A Esquizofrenia é um transtorno considerado grave, pois interfere na vida do paciente em diversos âmbitos. Esse transtorno tem fases (prodrômica, ativa, residual e crônica), não se apresenta da mesma forma em todos os indivíduos ou na mesma intensidade sintomática. Todavia, o tratamento psiquiátrico (uso de antipsicóticos e de outras classes medicamentosas) e psicológico (em diversas correntes teóricas), aliado a um bom ambiente acolhedor com rotina estruturada, manejo dos sintomas através da psicoeducação, melhora muito a convivência com outras pessoas, em especial seus familiares. Entretanto, não raro, os pacientes acometidos desse transtorno têm de ser hospitalizados, pois há, em alguns momentos do decurso do transtorno, instantes em que podem vir a apresentar tentativas ou ideação suicida.

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A estatística mostra que 5% a 6% dos indivíduos acometidos morreram por suicídio, sendo que 20% tentaram uma ou mais vezes, conforme apresenta o DSM V. Ser do sexo masculino e usar drogas, ter sintomas depressivos e estar desempregado, momentos após alta hospitalar são elementos de risco ao paciente e devem ser monitorados por seus cuidadores e pela referência profissional que está cuidando do paciente. O tempo de hospitalização ocorre conforme a melhora da sintomatologia de risco, após o paciente recebe alta, pois o convívio social é fundamental para o cultivo da saúde mental.

Com os devidos cuidados, o paciente apresentará uma estabilidade mental mais duradoura, podendo desfrutar melhor daquilo de bom que a vida tem a oferecer.

Pessoas acometidas de Esquizofrenia podem, conforme parecer psiquiátrico individual, vir a exercer atividade remunerada e estudar. É importante que a família e os amigos não se deixem levar pelo preconceito e acabem desumanizando o paciente. Pessoas portadoras de Esquizofrenia são, em primeiro lugar, pessoas, têm sentimento como qualquer um, têm direitos enquanto cidadãos (estatuto), amam e querem ser amadas e respeitadas como qualquer pessoa. E, principalmente, têm um potencial realizador que jamais pode ser esquecido.

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O renomado artista plástico surrealista Salvador Dali era portador de Esquizofrenia, o matemático prêmio Nobel John Forbs Nash Jr. também. Nem todos os pacientes são gênios assim, mas todos enquanto seres humanos guardam em si o potencial para realizar e merecem a chance de poder fazê-lo. Nise da Silveira, psiquiatra renomada, explorou esse entendimento e revolucionou o cuidado hospitalar dos pacientes acometidos pela Esquizofrenia na década de 40, no Rio de Janeiro, ao rejeitar os tratamentos da época, como o eletrochoque e a insulinoterapia, entre outros.

Nise iniciou a exploração do trabalho de expressão plástica com pacientes auxiliando a recuperação de muitos. Eles pintavam os que lhes vinha à mente e, assim, obtinham uma via de expressão e de elaboração dos seus conflitos internos. Nise da Silveira foi responsável pela introdução da terapia ocupacional como fator importante na recuperação de pacientes psiquiátricos. As pinturas realizadas pelos pacientes encontram-se preservadas no museu do Inconsciente no Rio de Janeiro até hoje.

Referências

  • DSM-V – Manual Diagnóstico e Estatístico de transtornos mentais. 5° ed.Porto Alegre:Artmed, 2014
  • Barllow.David H- Manual Clínico dos Transtornos Psicológicos- Tratamento Passo a Passo- 5° ed.Artmed.Porto Alegre,2016
  • Holmes.David S.-Psicologia dos Transtornos Mentais.2 ° ed.Artmed,Porto Alegre, 2001
  • Thttps://www.huffpostbrasil.com/2016/04/19/quem-foi-nise-da-silveira-a-mulher-que-revolucionou O tratamento da Loucura no Brasil
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Maria Luiza Rodrigues
Psicóloga(CRP 07/19741) graduada pela PUCRS, Sócia da Associação de Terapias Cognitivas do Rio Grande do Sul,administradora da página "Psicologia em Palavras Simples", colaboradora do Blog "cinquentaanos",tem experiência por mais de 20 anos de trabalho enquanto Monitora na Rede de Assistência Social de Alta Complexidade, pertencente à Fundação de Assistência Social e Cidadania( FASC) em Porto Alegre/RS

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