A solidão nos traz a ideia de estarmos sós, no entanto o que é estar só? Será que significa estarmos sozinhos em um local? Muitos de nós, provavelmente, já ouviram pessoas dizendo que se sentiram sós mesmo estando em meio a grande multidão. Então, como assim?

Notadamente, a solidão é mais do que estar ou não acompanhado. A solidão está na mente de cada um. Ao nos sentirmos solitários estamos nos sentindo desconectados das coisas do mundo que nos cerca naquele momento, dos prazeres, interesses da vida cotidiana. Tudo é inócuo e sem sentido naquele instante.

Não há conexão entre nossa mente e a beleza de uma flor por exemplo ou a qualquer outro aspecto da vida. Parece que para nós, o mundo perdeu os seus significados . E daí? um céu azul, um homem bonito, uma mulher bonita, o sorriso de uma criança, um cãozinho que passa…e daí? nos sentimos sós.

Esse sentimento advém de não estarmos conectados com aquilo ou aqueles que nos cercam. Talvez nossos sentimentos estejam totalmente voltados ao que não temos: coisas, pessoas, amores…Passamos a não mais enxergar o que está próximo a nós. Ocorre um desejo e um lamento por não ter algo. O que está ao redor não nos interessa naquele instante da solidão e parece que também não somos interessantes aos outros.

No entanto, existem solitários que estão ativos, rodeados de pessoas e parecem muito interessados em tudo, contudo quando a atuação acaba tal qual um ator acaba sua cena eles tem de seguir sua vida. Nesse ponto, fora da atuação costumeira, encontram-se na solidão, mas aos outros parecem pessoas inabaláveis aos quais o discurso do solitário jamais teria terreno.

Trata-se de pessoas que transitam na superficialidade dos relacionamentos, não construindo relacionamentos íntimos ou tendo dificuldade para fazê-los.Esses indivíduos enchem-se de trabalho para não terem de se a haver com suas questões internas, têm dificuldade de investir afetivamente nas relações.

Podem vir a deter-se em comportamentos compulsivos (drogas, álcool, alimentos). Tais pessoas, não constroem relações de amor, tendo vários parceiros e não estando com nenhum, no entanto mascaram o estar só. É importante salientar que essas pessoas também sofrem em estar só, mas se utilizam de subterfúgios de forma inconsciente.

Esse sentimento  e comportamento de mascarar a solidão podem se perpetuar, é interessante observar se junto com eles não há outras alterações psicológicas, pois o sentimento de solidão pode ser a manifestação de um sintoma de adoecimento psíquico.

Me sinto só! O que faço agora?

Uma possibilidade é a reconstrução do sentido das coisas, abrir-se para sentir a necessidade mútua de interação entre você e o outro, o que você pode trocar com o outro? Amor, trabalho, cuidado, um sorriso!

Junto a isso, é salutar a procura de apoio psicológico para poder compreender o que está acontecendo por traz desse sentimento que insiste em não ir embora.

Quem é o outro?

O outro é o seu eleito para o exercício da reconexão, ele pode ser desde uma flor até um ser humano. Reconecte, nada está no mundo por acaso. Existe uma necessidade entre os seres humanos de vivermos em comunidade para  nos construir como pessoa. A  boa vivência em grupos colabora para a saúde mental, independente da idade, gênero, credo ou etnia.

A construção de conexão se dá por toda a vida, ela se inicia a partir do contato com o que está próximo a nós, sejam pessoas, objetos, plantas afazeres, etc. e se torna um contínuo em nossas vidas.

O que está perto de você, agora?
Nada? Tem certeza?
Vamos nos conectar com a vida?

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Maria Luiza Rodrigues
Psicóloga(CRP 07/19741) graduada pela PUCRS, Sócia da Associação de Terapias Cognitivas do Rio Grande do Sul,administradora da página "Psicologia em Palavras Simples", colaboradora do Blog "cinquentaanos",tem experiência por mais de 20 anos de trabalho enquanto Monitora na Rede de Assistência Social de Alta Complexidade, pertencente à Fundação de Assistência Social e Cidadania( FASC) em Porto Alegre/RS

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