Você já deve ter ouvido falar de intoxicação alimentar ou por mau uso de remédios. Mas e intoxicação digital? Esse é o tema de hoje.

Você se pega deixando de cumprir alguma atividade importante por passar tempo demais nas redes sociais com frequência? Volta para casa só para pegar o celular quando se esquece de levá-lo com você? Sente angústia ou ansiedade ao perceber que está sem acesso à internet? Caso suas respostas tenham sido afirmativas, isso pode ser o indicativo de uso abusivo das tecnologias.

Segundo pesquisa do Instituto Flurry Analytics, o número de pessoas dependentes de smartphones cresceu quase 60% no mundo entre 2014 e 2015. A quantidade de usuários que acessam os dispositivos mais de 60 vezes por dia – parâmetro reconhecido pelo instituto de pesquisas norte-americano como um problema – saltou de 176 milhões para 280 milhões em um ano.

Abaixo os principais destaques referente ao tema:

Informação 24 Horas:

“Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”. (Zygmunt Bauman). Essa frase remete a várias interpretações, entre elas a de que precisamos estar sempre visíveis ou informados das milhares de coisas que estão acontecendo nesse exato momento. O resultado é que estamos fartos de informação, carentes de sabedoria e muitas vezes “perdidos no espaço”.

Aplicativos:

A centena de aplicativos disponíveis leva qualquer pessoa a achar que está tendo comodidade e rapidez para o acesso às informações, objetos e produtos. Se pensarmos com visão mais crítica a interpretação é a seguinte: o mundo é mágico e tudo está a um estalo dedos em nossas mãos. São aplicativos para previsão do tempo, compras, vendas, pedidos de comida, transporte, transações financeiras e muito mais. Isso faz perdermos um pouco a noção da realidade e da vida real que nos cerca. É uma balança com benefícios e perigos ao mesmo tempo.

Celulares:

Há uma década e meia talvez grande parte da população nem sonharia em ter um celular devido principalmente ao custo de um aparelho e como alternativa as linhas residenciais e “orelhões” para suprir as urgências de ligação. Hoje, independente de classe social, os celulares são item obrigatório para qualquer “ser humano normal”. Se você sabe de algum que não possui um aparelho desses fica até impressionado e se pergunta como alguém vive sem um telefone móvel nessa altura do campeonato. O mundo mudou, nós também. Celulares são como membros do corpo e um artigo que não pode ser esquecido em hipótese alguma. A vida de muitas pessoas está dentro de um aparelho móvel. Ligações? É a ultima função dele ultimamente…

Redes sociais:

Aqui a vida é o que você escolhe. Exibicionismo, mentiras e ladainhas é o que não falta. Além da intenção principal que talvez foi a comunicação e aproximação de pessoas em regiões geográficas distantes, as redes sociais tornaram-se uma espécie de “rastreador de vida”e marketing pessoal muitas vezes de características físicas, psíquicas, relacionamentos e inteligência que não possuímos. Curtidas e Emojis substituem sentimentos e afetividade real. Tudo é banal, tudo é momentâneo. Essa máscara social está custando caro para muita gente a curto e longo prazo.

Sono:

Devido ao uso excessivo de celulares, tablets, notebooks e outros, o sono das pessoas acabe sendo afetado por conta de nas telas desses aparelhos conterem uma substância que afeta a visão e desregula o relógio biológico. Dormimos mais tarde e a sensação de descanso é quase nula. A mente sempre está lotada de informações que não conseguem muitas vezes nos abandonar enquanto dormimos. Sonhos, pesadelos e coisas indecifráveis acompanham a noite de milhares de pessoas que às vezes nem desconectam o Wi-Fi enquanto dormem. Assustador!

Idiotização:

isso mesmo. A conexão constante e desenfreada muitas vezes nos leva a não refletir ou associar as ideias. Nem tudo está resumido a links ou textinhos, mas sim a pensamentos, leituras, análises para chegar a uma decisão menos animal da realidade. A população atual infelizmente parece estar lendo menos, estudando menos, saindo menos de casa e tendo menos contato pessoal com seres que existem e não se resumem a uma bolinha verde ou fotinha no canto da tela.

O mundo é muito maior que tudo isso e nós seres pequenos e limitados estamos inseridos dos pés a cabeça nele. A falta de conhecimento de coisas simples do dia a dia é algo marcante na sociedade atual. As pessoas sabem o nome da namorada ou amante do cantor X, mas não sabem a população da cidade onde residem, o nome do prefeito, a região geográfica em que estão, os principais fatores que afetam a própria vida em sociedade e por ai vai.

A mediocridade é tão grande que muitas vezes uma ação maluca afeta centenas de pessoas. Ações malucas se resumem a descontrole, ignorância e falta de informação ponderada. Segundo Bauman (aquele sociólogo velhão já falecido,  inteligente e crítico do mundo atual):

“Nós somos responsáveis pelo outro, estando atentos a isto ou não, desejando ou não, torcendo positivamente ou indo contra, pela simples razão de que, em nosso mundo globalizado, tudo o que fazemos (ou deixamos de fazer) tem impacto na vida de todo mundo e tudo o que as pessoas fazem (ou se privam de fazer) acaba afetando nossas vidas”.

O objetivo desse pequeno texto é trazer a reflexão sobre os benefícios e contrapontos que a tecnologia e seus infinitos desdobramentos estão proporcionando a sociedade atual. Não podemos viver sem internet, celulares e outros dispositivos. A vida contemporânea nos obriga a adotar medidas diferenciadas devido às correrias e afazeres diários. Qual o limite de uso da tecnologia? A exposição demasiada é necessária e segura até que ponto? Quais os impactos atuais e futuros particulares e em massa? A vida segue e nós continuamos correndo, refletindo e aprendendo. Pense nisso.

Referências

Compartilhar
Douglas Henrique Reginato
Graduado em Administraçao de Empresas (Uenp) . Pós graduado em Gestão Estratégica de Pessoas (Unopar - PR). MBA em Marketing Estratégico voltado a lucratividade (Unifil Londrina). Gosto de musica clássica e leio livros e revistas dos mais variados temas. Procuro ampliar minha visão de mundo e contribuir de alguma forma com a sociedade. Sou um eterno estudante.

Deixe um comentário

Please enter your comment!
Insira seu nome aqui