filosofos

Se entende melhor talvez o filósofo e seu orgulho se colocarmos o segundo em relação com a pólis de Atenas como pano de fundo. Possivelmente isto já deve ter sido feito por alguém com mais capacidade. Porém, sendo Platão aquele que escreve sobre a filosofia pela primeira vez, ele descreve Sócrates como o mais sábio de todos e que, usando o método de refutação chamado elenkhós, sai em busca de alguém efetivamente sábio para colocar-se a prova. Atenas estava sendo movimentada por estrangeiros chamados de sofistas, sábios, mas que não tinham a preocupação de investigar a veracidade do que ensinavam. Mas disso já sabemos.

O que pode ser tentado é delinear as causas da originalidade do orgulho heleno, que se deve, citando dois motivos, pela organização da pólis e o hábito de filosofar, intrinsecamente mesclado com a investigação científica. Sócrates, então, aparece arrebatando os corações dos jovens com o seu método investigativo de confraria, e Platão foi um deles. Como resistir àquela inovação do homem mais sábio de todos, segundo o oráculo de Delfos, não a nomeando como a filosofia? Sócrates, afinal, se preocupava com o que os atenienses diziam saber e então aplicava o seu método.

Desta forma, Platão embutiu na Filosofia o orgulho em ser ateniense e fazer o trabalho sujo que os sofistas não queriam e que já havia influenciado a assembléia: a falta de reflexão sobre a atividade dos integrantes e os rumos da pólis.

Há um componente instigante aqui em relação a Platão. Demos eram as localidades que sediam membros para a assembléia. E Platão era um nobre descendente de Sólon. E se a democracia havia matado injustamente o homem mais exemplar de Atenas, Sócrates, não havia mais nenhum motivo para ele ser condescendente com aquela que dava espaços para cidadãos educados por sofistas estrangeiros.

A Filosofia é desde o início autenticamente helena, portanto, orgulhosa. É ela que tem condições de educar o Rei Filósofo, o mais justo que conhece as formas perfeitas, o Bem. Ele é aquele que age com a parresia, o falar franco, e não está preocupado em vencer debates com discursos. O Rei Filósofo não pertence ao senso comum de sabedoria sofística.

Por motivos óbvios, se pode dizer que os helenos não conheciam nada parecido com a humildade, muito menos com a ideologia da humildade. Esta última que diz que se deve ser humilde para aprender, hoje em dia. Ora, o filósofo é o que ama e, por isso, busca o conhecimento tornando-se orgulho exatamente por isso. Ele sabe que pode aprender mais e usar do método dialético para investigar e usar de narrativas fantásticas para se fazer entender. Ele não é o filósofo da democracia que não sabe o que são ideias referenciais, mas é o que tem acesso às formas perfeitas do Bem e da justiça.

O exagero da utopia, do não-lugar, é também exclusivo do filósofo para espantar o indivíduo e fazer com que ele perceba que algo precisa de reflexão. Isto tudo é motivo de orgulho para o filósofo. Ele, questiona, aprende, significa e demonstra sem precisar preocupar-se de forma alguma com a humildade para ter orgulho.

Estes são alguns pensamentos que se apresentaram nestes dias. Não são irretocáveis. Pelo contrário. Peço contribuição ao melhor estilo de confraria.

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Maximiliano Paim
32, estudante de filosofia, músico e aspie

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