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Você trabalhou o dia todo e entregou a tempo o relatório imenso que o chefe pediu num prazo impossível, levou e buscou os filhos na escola, foi à academia, fez compras, pegou as roupas na lavanderia e espera o marido em casa com o vestido que ele ficou de pegar na costureira e que você pretende usar num jantar com amigos à noite.

Ele chega à casa sem o vestido e sem a lembrança de que deveria buscá-lo. Você tem uma explosão de raiva, começa a lançar uma série de agressões verbais contra o ele, bate portas e fica se perguntando o motivo de ele não conseguir realizar uma única e simples tarefa se você fez milhares de coisas durante o dia, incluindo tarefas dele.

Se ao ler esse texto você já se lembrou de um ou mais casos parecidos que aconteceu na sua vida, saiba que esse é um fenômeno comum entre as mulheres e que faz parte do novo livro do psicólogo inglês Alec Grimsley, um tipo de “coaching” de conversas.

Em “Vital Conversations – Making the Impossible Conversation Possible” (Conversas Vitais – Tornando a Conversa Impossível, Possível), as mulheres ganham ferramentas para lidar com esses momentos de raiva. Isso porque o problema aqui não é o marido que esqueceu de fazer algo, mas como as representantes do sexo feminino lidam com isso.

No sequestro emocional, a pessoa perde o controle e ataca verbalmente o parceiro
No sequestro emocional, a pessoa perde o controle e ataca verbalmente o parceiro

Entre os relatos de mulheres que surtam quando seus maridos se esquecem de realizar pequenas tarefas domésticas ou fazem demandas como se elas não tivessem nada para fazer o dia todo, ou até mesmo de crises de raiva porque não encontrou tal produto no supermercado, o problema não está no que elas alegam ter desencadeado a crise, mas, sim, segundo aponta Grimsley, é gerado devido a uma frustração que leva à irracionalidade, numa espécie de sequestro emocional.

“Sequestro emocional é quando a pessoa perde o controle sobre suas emoções e começa a atacar verbalmente o que causou a explosão”

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Essas reações são causadas pelo mesmo mecanismo de defesa que faz com que paremos diante de um ônibus em movimento, por exemplo. Há uma parte do cérebro que regula comportamentos como a agressividade, e que em momentos de perigo enche o corpo com mensageiros químicos que provocam uma espécie de apagão nas respostas emocionais por alguns momentos. E sentir-se sob pressão também ativa essa reação, fazendo com que a pessoa perca o controle sobre uma resposta racional.

Mas o pesquisador quis entender o motivo desse apagão, já que é sabido que todos vivem sob pressão, ainda que em diferentes aspectos ou intensidades. E é aí que o tema interessa muito às mulheres.

Grimsley explica que o sexo feminino tem mais propensão a acessos de raiva porque são biologicamente programadas para serem provedoras e ter personalidade de cuidar. Tendem a se ocupar de muitas coisas e sentir-se recompensadas por isso. O problema é que em vez de pedir ajuda ou dizer ‘não’ de vez em quando, elas começam a inventar histórias como ‘ele não me ama porque se amasse teria me ajudado com isso’. A pressão sobre a mulher para ser todas as coisas para todas as pessoas e para si mesmas nunca foi positiva.

Círculo vicioso

O dano causado pelas explosões não está só na possibilidade de magoar e ferir a quem amamos ou devemos manter relações cordiais, mas também no aumento de chances de repetição dessas reações exageradas. “No minuto seguinte, a maioria das mulheres se sente culpada por ter exagerado em vez de encarar o assunto com calma. Então, começam a fazer várias coisas pela pessoa que machucaram sem resolver o que causou sua explosão de raiva”, disse o escritor.

E aí novo estimulo para assumir mais responsabilidades se somam ao instinto natural das mulheres de cuidar de tudo. Isso cria o que chamados de triângulo do drama. Você começa como alguém que cuida das tarefas da casa, família e da carreira, o que a deixa estressada e faz com que se sinta uma vítima. Então isso a leva a descontar em algo trivial e então ela se torna a carrasca.

O terapeuta recomenda prestar atenção a coisas que têm potencial para tirá-la do sério, criando condições para reagir com mais calma se acontecerem.

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