A síndrome de Diógenes é uma desordem, um transtorno psicológico e comportamental caracterizada por extrema negligência da higiene corporal, descuido do lar, retirada social, apatia, acúmulo compulsivo de lixo ou animais.

Quando uma pessoa sofre de síndrome de Diógenes, seu espaço pessoal fica em um estado anormal de insalubridade, a tal ponto que pode perturbar a vizinhança. A acumulação excessiva de objetos de todos os tipos, a ausência de limpeza, a comida estragada, o lixo e até excremento de animais ou seres humanos pelo chão, causam odores nauseantes. Essas pessoas se deixam invadir e transbordar por essa acumulação de resíduos e objetos e, às vezes, quase não podem mais circular por suas casas.

A condição foi reconhecida pela primeira vez em 1966 e designada síndrome de Diógenes por Clark et al. O nome deriva de Diógenes de Sinope, um filósofo grego antigo, um cínico e um minimalista absoluto, que supostamente morava em um grande vaso em Atenas.

Diógenes sentado em seu barril cercado por cães. Pintura de Jean-Léon Gérôme de 1860.

A síndrome de Diógenes pode afetar todas as classes sociais, sem distinção. A situação socioeconômica do sujeito não importa. Algumas pessoas com a síndrome podem ter um emprego e uma renda alta. Estudos demonstraram que nem o nível de recursos financeiros, nem a profissão desempenham papel no desenvolvimento dessa patologia. A síndrome de Diógenes é observada tanto nas pessoas mais desfavorecidas que vivem em pequenos apartamentos quanto nas pessoas abastadas que vivem em casas grandes.

Embora a síndrome de Diógenes possa afetar os jovens, ela atinge principalmente pessoas com mais de 60 anos de idade, principalmente entre 70 e 80 anos. Estudos demonstraram que as mulheres são mais afetadas com essa patologia do que os homens (dois casos femininos para cada caso masculino). No entanto, essa diferença observada entre os dois sexos pode ser explicada pelo fato de que as mulheres têm uma expectativa de vida maior do que os homens.

Segundo os pesquisadores, 75% dos casos de síndrome de Diógenes concernem pessoas que vivem sozinhas. Entre estes casos, existe uma grande parcela de mulheres viúvas. Apenas 10% dos indivíduos vivem com companheiros. Também observou-se que a síndrome de Diógenes geralmente é o resultado de uma ruptura existencial ou social (morte de um ente querido, luto, perda de emprego, status social, etc.).

Diagnóstico 

O diagnóstico de síndrome de Diógenes pode ser difícil de se fazer porque, às vezes, a pessoa tem uma higiene pessoal aceitável, enquanto sua casa está em estado de insalubridade. O alerta é feito principalmente pela família ou por pessoas próximas e o diagnóstico é confirmado após uma visita domiciliar.

Na maioria dos casos, observou-se que os pacientes tinham uma possessividade anormal e padrões de acumulação de maneira desordenada. Estes sintomas sugerem danos nas áreas pré-frontais do cérebro, devido à sua relação com a tomada de decisão. Embora em contraste, houve alguns casos em que os objetos acumulados foram organizados de uma maneira metódica, o que pode sugerir uma causa diferente de danos cerebrais.

Sinais clínicos característicos da síndrome de Diógenes:

  • Negligência com a higiene pessoal e/ou da residência;
  • Acumulação compulsiva de objetos ou uma tendência a colecionar qualquer coisa;
  • Isolamento social;
  • Negação da realidade e falta de constrangimento em relação à condição de vida;
  • Recusa a qualquer ajuda externa.
Síndrome de Noé: acumulação de animais

Embora a maioria dos pacientes tenham sido observados como provenientes de lares com condições precárias e muitos foram confrontados com a pobreza por um longo período de tempo, essas semelhanças não são consideradas como uma causa definitiva para a síndrome. A pesquisa mostrou que alguns dos participantes com a condição tinham sólidos antecedentes familiares, bem como vida profissional bem sucedida. Metade dos pacientes possuíam nível de inteligência superior. Isso indica que a síndrome de Diógenes não afeta exclusivamente aqueles que sofrem de pobreza ou aqueles que tiveram experiências traumáticas na infância.

Os pacientes são geralmente altamente inteligentes e os traços de personalidade que podem ser vistos com frequência em pacientes diagnosticados com síndrome de Diógenes são agressividade, teimosia, desconfiança, mudanças imprevisíveis de humor, instabilidade emocional e percepção deformada da realidade. A síndrome de Diógenes secundária está relacionada a distúrbios mentais. A relação direta das personalidades dos pacientes com a síndrome não é clara, embora as semelhanças de personalidade sugiram caminhos potenciais para investigação

A negligência severa que eles trazem sobre si geralmente resulta em colapso físico ou ruptura mental. A maioria dos indivíduos que sofrem da síndrome não se identifica até ser enfrentada essa fase de colapso, devido à sua predileção de recusar a ajuda de outros.

Tratamento

Pessoas com síndrome de Diógenes geralmente recusam qualquer ajuda de fora e se negam a admitir que têm um problema. O tratamento pode, portanto, ser complicado.

É eticamente difícil quando se trata de lidar com pacientes diagnosticados, pois muitos deles negam suas más condições e recusam tratamento. Os principais objetivos dos profissionais da saúde são ajudar a melhorar o estilo de vida do paciente e o seu bem-estar, portanto os profissionais de saúde devem decidir por forçar ou não o tratamento ao paciente.

Em alguns casos, especialmente aqueles que incluem a incapacidade de se mover, os pacientes devem consentir à ajuda, uma vez que eles não conseguem cuidar de si mesmos. Hospitais ou lares são muitas vezes considerados o melhor tratamento nessas condições.

Quando sob cuidados, os pacientes devem ser tratados de uma maneira em que eles podem aprender a confiar nos profissionais de saúde. Por isso, os pacientes devem ser restritos no número de visitantes que são permitidos receber e serem limitados a um profissional de saúde. Alguns pacientes respondem melhor à psicoterapia, enquanto outros ao tratamento comportamental ou o cuidado terminal.

Os resultados após a hospitalização tendem a ser pobres. Pesquisas sobre a taxa de mortalidade durante a internação mostraram que aproximadamente metade dos pacientes morre no hospital. Um quarto dos pacientes são enviados para casa, enquanto o outro quarto é colocado sob cuidados de longo prazo. Pacientes sob cuidados em hospitais e casas de repouso muitas vezes deslizam em recaída ou enfrentam a morte.

Existem outras abordagens para melhorar a condição do paciente. Creches têm sido muitas vezes bem sucedidas na melhoria do estado físico e emocional do paciente, bem como em ajudá-los com a socialização. Outros métodos incluem serviços dentro da casa do paciente, como a entrega de alimentos

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Psicólogo. Idealizador do Pensamento Líquido. Apaixonado por filmes de terror, seriados, animes, mangás e livros de aventura. Não dispensa uma boa comida e bebida na companhia de amigos, especialmente se for pra curtir um bom e velho rock n roll.

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